Entrevista: A expressão da arte portuguesa em Belém, por Tiago Martins (diretor criativo Belém Art F

O Belém Art Fest está de regresso para a sua 4ª edição a 15 e 16 de Maio. Em Belém, reúnem-se de novo as mais diversas expressões culturais para dois dias de fusão artística, com palcos erguidos em museus ou polos históricos como o Mosteiro dos Jerónimos. A Aporfest conversou com o diretor criativo do festival, Tiago Martins, sobre o percurso que o festival percorreu nestes quatro anos, a competitividade do mercado e o que distingue dos demais.


Aporfest – Tiago Fortuna (A): O conceito e oferta do Belém Art Fest são únicos em Portugal?

Tiago Martins (TM): O conceito do Belém Art Fest tem por base eventos internacionais que acontecem regularmente nos museus das grandes capitais europeias. No entanto, em Portugal, o conceito de um festival nos museus, à noite e só com artes e artistas nacionais é de facto único.

Outro ponto distintivo do Belém Art Fest é a oferta de uma programação composta por diferentes expressões artísticas para além da música, como a dança, standup comedy, atividades científicas e este ano temos ainda um mercado nos jardins da Praça do Império composto só por marcas portuguesas, nas áreas de streettrucks, gastronomia gourmet, artesanato, design, entre outras.


(A): Temos uma cultura de festivais em que a música é o factor decisivo. A proposta do Belém Art Fest foca-se em diferentes artes. Como chegaram a esta ideia?

(TM): O Belém Art Fest foi pensado como um veículo para dar visibilidade a artistas portugueses, destacando o que melhor se faz no nosso país. Tentando sempre criar valor para a oferta cultural nacional.

Apesar de a música ser de facto o fator decisivo, não representa por si só a cultura portuguesa e por isso procuramos sempre alargar o nosso programa a outras expressões artísticas. Já tivemos teatro, moda, pintura, escultura ou cinema.

Este ano, para além dos concertos de António Zambujo, Dead Combo, Mimicat, entre muitos outros, iremos também apostar na dança com atuações da Jazzy Dance Studios, em standup comedy, com o espetáculo “Não, não somos irmãos!” com Guilherme Fonseca e Diogo Faro ou mesmo em atividades científicas com o Instituto Gulbenkian de Ciência e com a Ciência Viva.

Tal como nos anos anteriores a Fotografia faz parte da nossa programação e na edição de 2015 a Aporfest em parceria com o Movimento Expressão Fotográfica está promover um workshop de fotografia em festivais de música, onde a parte prática será lecionada no Belém Art Fest.

(A): Conseguem colocar as várias formas de arte em igualdade ou acreditam que a música acaba por prevalecer?

(TM): A música continua a ter mais tempo em palco e de facto prevalece sobre as demais. No entanto o Belém Art Fest não se faz só de música e teremos sempre espaço para outras expressões artísticas.

Este ponto é para nós muito importante, não só para diferenciar o Belém Art Fest dos outros festivais, mas também para dar oportunidade aos artistas nacionais nas suas várias expressões artísticas.

(A): Porque faz sentido uma componente de formação e científica?

(TM): A investigação científica em Portugal tem vindo a registar um crescimento interessante, com vários trabalhos de investigação reconhecidos a nível internacional. Esta foi uma forma de dar notoriedade a institutos que têm contribuído de forma decisiva para a inovação científica e conhecimento humano.

Por outro lado, achamos interessante esta parceria com o Instituto Gulbenkian de Ciência e com a Ciência Viva, no sentido em que está completamente integrada com o espírito do Festival e irá informar os interessados sobre os efeitos do som e luz na mente humana.