Entrevista: Sónar - Um festival à escala global, por Georgia Taglietti (diretora comunicação)


APORFEST (Ricardo Bramão): O Sónar tem muitas edições, uma ativa promoção para a próxima edição e muitas nomeações para o Eurosonic e os European Festival Awards. Quais as características que tornam o Sónar (Barcelona) num sucesso desde a primeira edição, em 1994?

Georgia Taglietti: O Sónar foi criado com uma única fórmula – um festival urbano dedicado à cultura eletrónica e que decorra, anualmente, em Barcelona no mês de junho com duas partes específicas (Sónar by day: 4 palcos no centro da cidade com atuações ao vivo, um congresso dedicado à música, tecnologia e inovação e Sónar by night: nas noites de 6ªfeira e sábado, com 4 palcos para uma capacidade para 32 mil espectadores, a 20 minutos do centro da cidade e com uma atmosfera underground propícia para se dançar).


O Sónar provou, a cada edição, que o alinhamento músical escolhido, nunca desilude em criar música de elevada qualidade. Além disso, o festival tenta oferecer experiências únicas. O que torna o Sónar diferente dos outros festivais de música na Europa, na atualidade?

O festival construíu a ideia de ser possível criar um espaço conjunto onde a música eletrónica e as artes possam conviver por muito diversas e dispersas que possam ser e estar. A principal aposta nos anos 90 foi atrair um público eclético de diferentes comunidades artísticas e colocá-los em conjunto. Ganhámos a aposta ao colocarmos a música de dança transportada das raves para os museus e a música experimental dos pequenos clubs para as grandes audiências. Esta combinação e os desenvolvimentos constantes contínuam a funcionar perfeitamente.

O festival mede constantemente o pulso à música electronica. Estas interações com a criação digital e os novos media uniram os artistas emergentes com os consagrados em todas as áreas músicais e de produção audiovisual. O Sónar procura valores que definam o festival desde a sua concepção – a ligação entre a criatividade e a tecnologia, aumenta a ligação entre todos e torna-o num ponto de encontro para os criativos, de diferentes disciplinas e comunidades.


Em Portugal, os maiores festivais de música têm uma estreita relação com marcas. No vosso caso, como incorporam as marcas com a experiência do festivaleiro?

O nosso departamento trabalha de maneira a garantir e coordenar a dose certa de sponsorização/apoio com a filosofia do festival. Não é uma tarefa fácil, mas felizmente somos considerados um dos festivais menos invasivos em relação à exposição das marcas a que o público está sujeito.


Como cativam o público espanhol e as outras nacionalidades para escolherem o vosso festival?

Tentamos utilizer todos os canais de comunicação disponíveis, especialmente as redes sociais, que permitem aos festivais chegar diretamente à audiência pretendida. Do mesmo modo, toda a nossa promoção e publicidade é focada exclusivamente nos canais online. Realizamos acordos com media partners internacionais e nos eventos internacionais aproveitamos para promover a marca fora do território espanhol.

Enquanto Associação achamos que o mundo dos festivais deverá estar conectado e predisposto a olhar pela inovação e otimização de conceitos que tragam competitividade. A parte profissional do Sónar (Sónar +D) permite acionar o que todos os stakeholders da área pretendem?