ENTREVISTA: A ligação de um festival ao seu público por Pedro Guilherme (diretor Festival Musa Cascais)

29/06/2015

 

A 17ª edição do festival Musa Cascais acontece já nesta semana (de 2 a 4 de julho, junto à Praia de Carcavelos). Numa semana com vários festivais espalhados pelo país, este festival tem vindo a fidelizar cada vez mais público. Groundation, Steel Pulse, Jah Cure representam os maiores artistas do reggae presentes. Falámos com o responsável Pedro Guilherme para nos ajudar a entender o lema do festival.

 

 

APORFEST:  Como tens sentido a evolução dos festivais desde 1999? Que diferenças encontras (no passado e atualidade) e o que isso contribuiu para o desenvolvimento do Musa Cascais?

Como em tudo o que acontece no nosso planeta, tudo está sujeito à mudança e os festivais não fogem disso. Hoje em dia toda a organização de um festival é mais estudada, mais estruturada, cada vez existe uma maior interdisciplinaridade entre as diversas áreas que compõe um festival. Existe uma maior preocupação com o público e com tudo o que rodeia. É um planeamento completamente diferente e com questões que antigamente não se levantavam.

 

Na minha visão o aparecimento de alguns festivais estrangeiros no nosso país foram também catalisadores para os nacionais começarem a posicionar-se de forma diferente. O MUSA CASCAIS foi evoluindo à sua dimensão, aprendendo com a experiência, própria e dos outros, a quem seguramente também ensina algo. No entanto, uma coisa não muda: O espirito festivaleiro mantém-se e recomenda-se!

 

 

Através das redes sociais, verificamos que o Musa Cascais é um dos festivais com maior engagement com o seu público. Como criaram esta relação e qual o critério diferenciador vosso e dos demais festivais? De onde vem o vosso público?

O nosso público vem de todo o lado. É uma comunidade que cresce a cada dia que passa. É um sentimento e uma experiência que se vivem e que se querem repetir! O MUSA CASCAIS é um festival baseado no voluntariado, organizado pela Criativa (associação sem fins lucrativos sediada em Carcavelos, Cascais) e é produzido com um grande amor à camisola pelos voluntários mais especiais do mundo. Eu penso que o público cresceu com este festival e tem um carinho e respeito muito grande pelo mesmo. Acima de tudo o público revê-se nos nossos valores e na nossa forma de estar,que se manteve ao longo da história do evento.

 

 

São dos festivais com mais edições consecutivas em Portugal. Sem naming sponsor, sem apoio dos maiores media nacionais, sem grandes campanhas comunicação e conseguem chegar quase às 10 mil pessoas por dia. Estarão desatentas as marcas ou é uma estratégia vossa?

Vai fazer este ano 17 anos de história! Temos um 'naming sponsor' que acredita à vários anos neste festival e na associação que o produz e isso traduz-se no sucesso que este evento vem alcançando todos os anos. Chama-se Câmara Municipal de Cascais! Por  isso se chama MUSA CASCAIS.  Neste momento somos o maior e melhor festival de reggae de Portugal, com lineups de luxo (atrás uns dos outros) e com um cenário de fazer muita inveja a muitos festivais urbanos. Para nós as marcas que quiserem estar aliadas a esta experiência têm que ser marcas que queiram estar alinhadas com o nosso conceito e objectivo.  

 

 

O reggae é para continuar a apostar? São atualmente o único festival português com cabeças-de-cartaz internacionais deste estilo, quando no passado já existiram muitos mais.

Pelo MUSA CASCAIS já passaram quase todos os estilos musicais mas o reggae foi algo que foi penetrando cada vez mais no nosso lineup. Estamos na linha de Cascais, com a praia a 20 metros,  surf, pessoas bonitas, boas vibrações, e …o melhor reggae.

 

 

Verificamos um cuidado na sustentabilidade, esforço na igualdade de acessibilidades ao público/bandas e novas soluções de campismo. Porquê?

A sustentabilidade que defendemos não é só a ambiental, mas também a económica e social. A nossa política relativa aos bilhetes FESTIVAL MUSA CASCAIS visa isso mesmo: para nós a cultura tem que estar ao acesso de todos. Desde sempre somos mais que um simples festival de música – somos uma experiência!

 

 

Sendo associado da APORFEST, em que medida achas que o papel da associação poderá evoluir nos próximos anos?

A APORFEST já está evoluir bastante no pouco tempo que tem de existência. Acima de tudo espero que eleve cada vez mais o papel dos festivais de música e que ajude ainda mais a elevarmos a fasquia de qualidade. Estamos sempre a aprender e isso é bom!

 

 

 

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