ENTREVISTA: Comunicar os festivais, por Salvador da Cunha (CEO Lift World)

07/07/2015

Chegámos à fala com o máximo responsável da Lift, Salvador da Cunha. Este defende uma consultora vocacionada  especializada na área da comunicação, dando suporte em vários projetos de grande dimensão, destacando-se o Rock in Rio Lisboa, desde a sua primeira edição. Foi então este o mote para uma pequena entrevista.

 

APORFEST: Se é verdade que existem muitos festivais em Portugal [156 festivais em 2014, segundo o estudo do Talkfest], também é possível dizer que o tamanho e mercado dos mesmos e muito reduzido. Como é a vossa análise dos festivais em Portugal?

Penso que os festivais de música surgem e intensificam-se como parte do novo paradigma do negócio da música. É hoje uma das principais formas de monetização dos artistas, quando há 15 anos atrás era a venda de CD’s. Dos 156 festivais que falam, há meia dúzia que são grandes festivais, outra dúzia que são médios e depois há muitos festivais mais pequenos, de nicho. Apenas os grandes festivais, como o Rock in Rio, têm de facto orçamento para contratar serviços como o nosso, que envolvem a gestão da comunicação durante um ano inteiro e, no evento, a presença de centenas de jornalistas.

 

 

Como nasceu a ligação ao Rock in Rio Lisboa e posteriormente ao projeto na sua globalidade?

Um dia de 2003 o Roberto Medina veio a Lisboa, reuniu comigo no Lapa Palace e disse: “Salvador, quero trazer para Lisboa o maior festival de música do mundo. Você pode ajudar com a assessoria de imprensa?” Pensei que o Roberto era louco, mas disse que sim.

Vim a confirmar poucos dias depois que de facto o Roberto é louco. Mas é uma loucura que faz acontecer e sem ela não havia Rock in Rio. O Roberto é o curador da ideia, não deixa que nada fuja ao sonho inicial. Depois a Roberta consegue, com a sua forma de gerir uma equipa gigante, entregar um produto melhor do que o sonho. E o Rodolfo garante que os recursos aparecem para que tudo aconteça. É uma tripla de Pai e Filhos absolutamente fantástica, que tem marketing no sangue. Sabe exatamente o que querem e motivam, muitas vezes até à exaustão, as equipas que trabalham com eles.

 

 

Que visibilidade a mesma vos trouxe, desde 2004?

Trouxe uma visibilidade controlada. Não é por isso que a Lift se move. Gostamos de fazer um bom trabalho, temos muita experiência e todos os anos conseguimos superar o ano anterior.

 

 

No vosso portfólio têm clientes que de alguma forma querem ativar ou comunicar nos festivais. A área dos festivais de música é importante para vocês?

Temos muitos clientes que fazem ativação nos festivais. Estamos a trabalhar no sentido de incrementar a nossa área de ativação para melhor servir os nossos clientes nessa vertente.

 

 

Como qualquer consultora (independente da sua área de atuação), ter os melhores colaboradores é um risco para eles ficarem no cliente e assim se perder negócio e valor humano. Como previnem esse ponto?

Não pensamos que seja um risco. As consultoras, como qualquer outra organização, têm de ser suficientemente atrativas e manter os colaboradores satisfeitos. O conhecimento acumulado não está centrado apenas num ou noutro colaborador; são as equipas e as dinâmicas criadas para cada projeto que aportam valor, sustentadas por processos de gestão muitas vezes complexos. No caso específico do Rock In Rio, temos uma equipa de 3 pessoas em outsourcing no cliente, 15 quadros da Lift nos dias de evento e gerimos uma bolsa de 30 voluntários. É um trabalho que o cliente não quer ter em casa.

 

 

Se existisse a oportunidade de fazer a comunicação de outros festivais e/ou assessoria dos mesmos, com quem preferiam trabalhar e a que se propunham melhorar?

Trabalhamos muitos eventos em simultâneo. Este ano estivemos envolvidos, por exemplo, no Rock in Rio USA, na Volvo Ocean Race, na Feira do Livro de Lisboa e no Sushifest. Mais do que trabalhar mais festivais, gostávamos de ter a oportunidade de internacionalizar aqueles que já trabalhamos. Esta seria uma aposta completamente alinhada com a estratégia de inovação e internacionalização do grupo.

 

 

Qual o papel que a APORFEST poderá ter na otimização na área em que a Lift atua?

A APORFEST, enquanto organização que contribui para o desenvolvimento e profissionalização dos festivais de música em Portugal, poderá atuar como parceiro facilitador de contacto entre a Lift e os players nacionais e internacionais na área dos festivais, com a garantia que, fruto da experiência adquirida nesta área, a Lift assegura uma comunicação estratégica, um vasto networking e a capacidade de criar uma oferta de valor. 

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