Fomentar a lealdade e continuidade, por Rafaela Ribas

15/09/2015

Afirma faz gestão de carreira, agenciamento de espetáculos nacionais e trabalha ainda a internacionalização de artistas. Miguel Ângelo, Moonspell, D’Alva, Keep Razors Sharp e X-Wife são alguns dos clientes a que Afirma presta serviços. Rafaela Ribas é diretora geral da agência e falou com a APORFEST sobre o papel dos festivais de música para esta indústria, com a perspetiva de quem trabalha diretamente com os artistas.

 Créditos: Edgar Keats

 

APORFEST – Tiago Fortuna (A): O que representam hoje os festivais para a indústria musical?

Rafaela Ribas (RB): Penso que a sua importância tem aumentado, acima de tudo porque a sua quantidade e diversidade também o tem. Hoje em dia, para além dos grandes festivais de Verão (>30.000 visitantes), existem inúmeros festivais locais/regionais, de dimensão mais pequena, alguns especializados em estilos musicais, outros mais generalistas, todos eles apostando no talento nacional. Assim, considerando que o número de artistas, projetos e bandas a atuar ao vivo tem vindo, também, a aumentar, os Festivais tornaram-se em meios de apresentação e fontes de rendimento considerável para os novos artistas. Resumindo, considero que os Festivais vieram aumentar o mercado de espetáculos ao vivo.

 

(A): Qual é a importância de um festival para a divulgação da nova música?

(RB): Bastante. Mesmo os festivais mais pequenos e locais conseguem agora parcerias com meios de comunicação nacionais, o que significa que os artistas que neles atuam beneficiam dessa exposição mediática.

 

(A):  Poderá ser mais eficaz que a procura num serviço de streaming ou no youtube?

(RB): Sim, porque um espetáculo ao vivo, ou a divulgação do mesmo via, por exemplo, livebroadcast em Rádio ou TV, tem associado ao mesmo um factor visual e emocional, dificilmente alcançado só pela escuta.

 

(A): É possível marcar mais concertos, em certos casos, devido à quantidade de festivais que existem neste momento?

(RB): Sim. Mais festivais = mais possíveis espetáculos.

 

(A): Que tipo de seleção pratica, como agente, nas propostas feitas e recebidas para concertos em festivais? (e.g: tipo de música, tipo de festival, localidade)

(RB): Procuro garantir que o target/género musical do festival se adequa ao do artista, que a divulgação do festival é adequada e que a produção é satisfatória. Referências de anos anteriores são uma boa métrica neste caso.

 

(A): Serão hoje os festivais indispensáveis para a dinâmica da indústria musical? Porquê?

(RB): Talvez. Pelas razões acima descritas e porque, na maior parte dos casos, têm uma grande capacidade de fomentar lealdade e, consequentemente, continuidade. Há festivais onde decidimos ir mesmo sem saber o cartaz, porque já sabemos que o grupo em que nos inserimos lá vai estar, e vamos conhecer novos artistas de qualidade.

 

(A): O associativismo pode trazer benefícios para esta indústria?

(RB):  Sem dúvida. Uma enorme percentagem de pequenos festivais locais é produzido por associações culturais e desportivas, focalizadas no desenvolvimento da economia e cultura local.

 

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