O fenómeno cashless - necessidade ou apenas comunicação? Entrevista: Scott Witters (CEO Glownet)

16/03/2016

Num ano que se afigura de fortificação da aposta de sistemas cashless nos festivais portugueses, seguindo uma tendência internacional, e após experiências em diferentes festivais no ano de 2015 - Festival Forte, Lisb/On ou Nos Alive - nem sempre com a eficácia desejada, entrevistámos o responsável de uma das empresas com maior experiência nesta área, aproveitando a sua presença no último Talkfest - International Music Festivals Forum.

 

APORFEST: O slogan da Glownet é “Making live events better”. De que maneira é que a Glownet operacionaliza esta afirmação?

Scott Witters: A Glownet reduz as “dores de cabeça” que são muitas vezes experienciadas neste tipo de eventos tanto para a organização como para quem frequenta o evento. A nossa solução permite que os promotores se foquem no que realmente é importante para eles… oferecer uma boa experiência aos seus clientes, permitindo que esses clientes aproveitem o evento. Como é que nós fazemos isto? O nosso trabalho começa logo quando o cliente entra no evento - é-lhe providenciada uma pulseira que permite que seja feito um carregamento de dinheiro, eliminando assim o incómodo de ter que usar bilhete, dinheiro ou cartões de crédito. Toda esta informação é depois transmitida para os pontos de venda, onde por exemplo os empregados de bar se tornam muito mais eficientes graças ao nosso sistema de ponto de venda intuitivo, fazendo assim com que as filas para comprar alguma coisa diminuam. Os organizadores têm assim a vida facilitada pois podem controlar todas as vendas feitas no evento. Os nossos sistemas garantem um aumento nas vendas e eliminam “virtualmente” todos os roubos. Assim como empresas de bilhética ajudam os promotores a vender mais bilhetes e a ter todos os detalhes acerca das vendas de bilhetes, tudo numa só plataforma, a Glownet dá ao promotor o controlo total sobre todas as transações feitas no evento enquanto aumenta também o numero destas mesmas vendas e providencia também informação inteligente que vai ajudar o promotor a estabelecer novas relações com os seus patrocinadores e ter novas fontes de receita.

 

A Glownet já trabalhou com alguns festivais internacionais, incluindo festivais de Espanha (e.g. Ultra, Sónar, PiknicElectronik, DCode), e com marcas (e.g. Live Nation). Como conseguem criar procedimentos standard para trabalharem com festivais de diferentes ideologias e conceitos?

Cada promotor e cada evento é diferente/único, claro que nós temos procedimentos standard mas a forma como estes são implementados é sempre ajustada para bater certo com cada visão, nós tentamos sempre partilhar a nossa experiência com o promotor e aconselhamos a melhor forma para implementar os nossos serviços, mas no fim é sempre que decide quais são as ferramentas que devemos de usar.  Contudo, nós certificamo-nos que apenas entramos em projetos com os quais nos sabemos que vamos poder entregar o melhor serviço possível, tendo como base a nossa experiência com mais de 85 eventos em mais de 17 países diferentes. Nos preferimos que os promotores façam uma mudança gradual para o RFID do que instalar todas as nossas soluções de uma vez só. Às vezes a melhor abordagem que se pode fazer é levando as coisas aos poucos, passo a passo, e nós ficamos mais do que contentes quando recomendamos a começarem com uma instalação básica RFID, especialmente quando esses clientes estão pela primeira vez interessados a utilizar RFID.

 

O que torna a Glownet diferente de todas as outras empresas cashless que trabalham com festivais?

Ao contrário da nossa concorrência, a Glownet tem mais de 10 anos de experiência com a tecnologia RFID. Nesta área, a experiência é essencial aos olhos dos clientes. Nós somos completamente independentes da rede e somos 100% móveis o que faz com que os nossos clientes não tenham que gastar dinheiro em mais infraestruturas caras.

 

Que experiencia têm com o mercado Português?  Quais são as vantagens e as dificuldades que sentiram neste mercado em comparação a outros mercados onde também operam (e.g. UK, Austrália)?

Temos notado que alguns dos processos como por exemplo a gestão da caixa e do bar, infraestruturas necessárias para gerir um pico de afluência de pessoas não são simples nem muito eficientes como vemos por exemplo no Norte da Europa. Quando implementamos a nossa solução, nos não trazemos apenas hardware, software e uma equipa, trazemos também conhecimento, KPI’s e processos operacionais que ajudam os promotores a otimizar o seu evento. Ter uma “máquina” a funcionar bem na área da gestão é um componente chave, porque é de onde vem o dinheiro dos promotores. No sul da Europa temos notado que as vendas estão a aumentar, tudo isto devido à eficiência e à rapidez no serviço de transação num bar assim como a redução do numero de roubos.

 

Tem interesse em continuar a investir no mercado Português? Porque e como?

Absolutamente, como ficou provado no verão de 2015, nós podemos contribuir largamente na área dos eventos ao vivo em Portugal, melhorando a eficiência dos eventos e resolvendo muitas das preocupações que os promotores e investidores experienciam atualmente. Temos uma oferta que é bastante útil para os patrocinadores, implementando ferramentas que permitem medir o sucesso das suas ativações de marca.  Com os dados que recolhemos nos eventos, os promotores podem olhar para as edições passadas e tomar melhores decisões para eventos futuros. Estudando os nossos dados os promotores podem ter informações viáveis e precisas acerca dos picos de pessoas no check-in, eficiência na performance do staff, e quais os produtos mais populares, por exemplo.

 

Como acha que vão ser os festivais de música na Europa num espaço 10 anos?

Cashless (risos).

 

 

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