Vamos exportar definitivamente a música portuguesa? Entrevista: Jorge Bizarro (Why Portugal)

23/03/2016

 

Foi anunciado no inicio deste ano o projeto Why Portugal, que fará com que Portugal seja o país de referência da próxima edição do Eurosonic (em janeiro de 2017), levando com isso mais artistas e agentes portugueses a uma dos maiores eventos músicais de divulgação e negociação de música. O projeto é muito mais abrangente, tendo o apoio da APORFEST e por isso falámos com Jorge Bizarro, um dos organizadores e que trabalha como manager de diferentes artistas nacionais, sendo presidente da AMAEI e membro da MMF Portugal.

 

 

APORFEST: Qual o intuito fulcral do Why Portugal? 

Jorge Bizarro: O Why Portugal é uma plataforma, que pretende fomentar o crescimento económico, atraindo investimento através da divulgação dos diferentes intervenientes. Ou seja, divulgar a realidade da industria musical portuguesa (bandas, festivais, editoras, agências de booking, managers, etc…) de forma a captar o interesse e o investimento de fora. O propósito final, eu diria que, é mudar a percepção internacional da cena musical portuguesa e revelar todo o potencial nas diferentes áreas.

 

O objetivo foi dar a conhecer os artistas portugueses ao Eurosonic inicialmente. De que forma o conceito cresceu? Como está este a ser trabalhado?

O mote terá sido esse, mas a ideia de uma “exchange platform” já existia e já tinha sido falado entre todos os intervenientes. O Eurosonic foi a oportunidade de criar algo que perdurasse para além de Janeiro de 2017 (Contry Focus nessa edição será Portugal), já que iriamos ter trabalho porque não fazer algo mais sólido. 

O crescimento faz-se em dois pólos, o internacional e o nacional. A nível internacional existe uma estratégia de afirmação da marca e projecto junto dos profissionais, através da presença assídua em certames de índole pro, como o SXSW, Reeperbahn Fest, Primavera Pro e outros. Numa primeira fase de implantação o intuito é dar a conhecer o projecto e objectivos e numa segunda fase fazer valer as valências criando oportunidades reais de negócio.

A nível nacional existem, para já, duas fases distintas. Numa primeira, unir os diferentes intervenientes da indústria informando do propósito da plataforma, numa segunda fase profissionalizar o sector, munindo-o das ferramentas necessárias para a internacionalização. Com estas duas fases concluídas espera-se criar um movimento motivado e capaz de se afirmar internacionalmente.

 

Porque razão nunca foi possível implementar um "export office musical" português? Talvez não exista apenas uma razão, mas que dificuldades existem? 

Houve algumas tentativas que não avançaram. Eu diria que a falta de vontade política e iniciativas demasiado dependentes dessa mesmo vontade fizeram falhar, e talvez a falta de identificação de objectivos comuns e ainda de organismos profissionais envolvidos como a AMAEI, a APORFEST, AUDIOGEST, MMF Portugal, Antena 3 entre outras.

 

Qual a diferença do Why Portugal de tentativas similares desencadeadas anteriormente?

Julgo que a maior diferença é a junção de pessoas de diferentes quadrantes políticos e profissionais e a identificação de objectivos comuns, aliados a uma forma de actuar distinta. 

Neste projecto estão envolvidas pessoas com backgrounds distintos e que identificaram as razões e as necessidades da internacionalização e onde houve a preocupação de procurar apoio dos tais organismos profissionais.

A grande diferença talvez seja mesmo a consciência que há do todo, nós queremos todos envolvidos: as bandas, os festivais, as agências, etc..porque a internacionalização é essencial para a subsistência de todos num mercado pequeno como o nosso é. Aqui concorremos uns com os outros, mas no que toca à internacionalização temos todos objectivos em comum e que se tornam mais tangíveis se agirmos como um todo, em vez de incursões solitárias.

 

A cultura em Portugal é criticada por todos, estando público e prestador de serviços em permanente registo negativista. De quem é realmente a culpa? O que fazer para nos aproximarmos das cooperativas e orgãos associativos de outros países ou regiões?

Acho que a grande barreira somo nós próprios, com as nossas pequenas escaramuças mesquinhas e negativismo.  A solução está na modernização e profissionalização de todo o sector, depois disto teremos a segurança necessária para partirmos ao encontro dos parceiros internacionais. Não devemos pensar que fazemos tudo mal, porque não é verdade (até fazemos muitas coisas bem) e não é lá fora que estão as soluções para tudo, há coisas que podem funcionar bem num lado e noutro não…o que temos é de perder esta mania negativa de dizer mal de tudo e um certo sentimento de inferioridade que por vezes prevalece. 

 

Qual o papel que a APORFEST poderá ter para alavancar a qualidade da indústria musical portuguesa e dos seus principais

decisores? 

A APORFEST já tem tido esse papel, o Talkfest é um excelente exemplo! 

O encontro entre profissionais e o debate público de assuntos é uma forma de melhorar a qualidade, pois quebra barreiras e traz novas ideias. O problema durante muitos anos foi o fechar dos organismos e empresas sobre si próprias, a filosofia de feudo (e medo) infelizmente ainda é dominante na nossa sociedade, é preciso construir pontes e promover o diálogo para se identificarem problemas e arranjar as soluções. A APORFEST ao reunir os profissionais dos festivais em Portugal está a contribuir para esta forma nova, come menos barreiras, menos medos e com mais ideias, novas soluções e nova formas de estar, no fundo a contribuir para a profissionalização e para a modernidade.

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