Opinião: Espírito corporativo, existe?

07/11/2016

O lançamento da APORFEST - Associação Portuguesa Festivais de Música (em setembro de 2014), veio no seguimento do Talkfest - International Music Festivals Forum (com uma primeira edição em 2012), um evento que ao longo de 2-3 dias por ano serve para aglutinar a indústria, torná-la frente-a-frente, fora dos escritórios ou dos nichos e assim torná-la mais humana e corporativa e assim seguidora de todas as outras áreas - marketing, direito, gestão de recursos humanos, psicologia. Daí até à organização de uma associação que representasse todos os setores (e.g. promotores, artistas, investigadores, media, prestadores de serviços, alunos) foi um passo porque ao longo do restante ano eram-nos colocadas dúvidas relacionadas com informação, legislação, fiscalidade, regulamentação ou financiamento entre tantas outras, o que nos obrigou a estar 365 dias/ano disponíveis.

Os fundadores de ambas debateram-se ainda porque não existe na área dos festivais de música a nível nacional (como existem noutras áreas) um maior corporativismo? É muito mais consistente e com resultados melhores quando de uma forma colectiva se partilha, se estabelece networking, se promove o debate e se demonstra o real interesse na evolução da área.


Orgulha-nos ter sido desbloqueadores deste ponto e colocar as entidades a falar de uma forma mais aberta, mesmo que concorrentes entre si, orgulha-nos ter dado a conhecer talento jovem em redes de contacto que são por si só pequenas e fechadas, assim como tantos outros fatores. Ao contrário de outros países e culturas, estamos distantes deste corporativismo sincero, que beneficie com a concorrência e não com a falta dela, e que funcione através de ligações privadas e públicas numa potenciação da internacionalização por exemplo. Tomando como exemplo os Iberian Festival Awards, também organizados pela Aporfest e que apesar de estar na rede europeia dos Festival Awards, demonstra mais dificuldade em cativar e fomentar a cooperação ibérica entre portas que fora delas. Vemos com positivismo a chegada de novas associações que vão conseguir defender interesses e chegar mais rápido a objetivos que estivessem fora da associação de forma ad-hoc e espartilhada.

Da mesma forma, esta evolução tem sido alavancada por novos, pequenos e médios promotores, continuando a ser ainda difícil por todos num "mesmo barco" em que todos são iguais e todos valem o mesmo. A falta de apoio a eventos que têm como objectivo premiar e valorizar uma área, que com dificuldades em rentabilizar a ideia e garantir a seriedade e isenção não se coaduna com a utilização em massa (e ainda bem) como forma de comunicação e credibilização de municípios e festivais. Enquanto lá fora, premiar uma área é apenas um "serviço mínimo" que deve existir como inicio de evolução em qualquer área.


Existe ainda uma clara vontade de alguns players em quererem deter tudo no seu controlo e a não querer beneficiar daquilo que não comandam, não se querendo imiscuir com os outros. Há muito caminho a percorrer, venham novas associações (de classes profissionais, de estilos musicais...), venham projetos como o WhyPortugal, venham debates, venha uma regulação e apoio claro a esta área, que de uma forma justa e isenta sem se fazer contas a quem beneficia e aos lobbies que se quer deter ou não!

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