O Alentejo como encontro de partilha artística. Entrevista: Vasco Durão (diretor Guitarras Ao Alto)

17/05/2017

É no Alentejo e na imersão da sua história que, desde 2014, se realizam encontros entre artistas em que a Guitarra é a verdadeira protagonista. O projeto Guitarras Ao Alto já teve direito a documentário, a artistas nacionais e apoio e experiências com artistas internacionais. E agora o que se espera do festival? Falámos com Vasco Durão, o seu mentor.

 

 

 

APORFEST: Vem aí a 3ª edição do Guitarras Ao Alto. O que podemos esperar?

Vasco Durão: Continuar a alimentar o desejo de trazer ao Alentejo os melhores guitarristas portugueses para tocar música inédita num espectáculo original. Com o vinho, a gastronomia, a paisagem e o património alentejano em pano e fundo. Este ano, vamos juntar em palco o Peixe e o Frankie Chavez, em Avis, em Estremoz e em Beirã-Marvão, a 15, 16 e 17 de Junho respectivamente. Sempre com a ambição de fazer os concertos em espaços únicos: o claustro do Convento de S. Bento de Avis; o claustro do Convento das Maltezas em Estremoz, que é também o Centro Ciência Viva; e a antiga estação de comboio da Beirã, onde fica a guesthouse Train Spot. Está tudo no nosso website. Este ano contamos ainda com o fantástico apoio da Antena 3 na comunicação e vamos ter algumas surpresas audiovisuais.

 

2. Como foi a evolução do conceito ao longo do tempo?

A primeira edição foi em 2014, com o Tó Trips e o Filho da Mãe. A segunda aconteceu em 2016, com o Norberto Lobo e o Luís Martins. Entretanto, ajudámos o Grutera a gravar o seu terceiro disco, Sur lie, no Túnel das Barricas da Herdade do Esporão, e trouxemos ao Alentejo grandes guitarristas americanos como o Glenn Jones e o Steve Gunn. Já chegámos a terras alentejanas de todas as dimensões, desde Beja, Évora e Portalegre, a Sousel, Campo Maior ou Beirã. E queremos chegar a muitas mais, nomeadamente no Baixo Alentejo. Sempre inspirados no grande vinho que é o alentejano, que no Guitarras ao Alto deste ano, como já aconteceu no ano passado, vai ser servido pelo Virgo/Torre do Frade. Este ano é a primeira vez que repetimos uma localidade, a Beirã, porque de facto o Train Spot é um local mágico para fazer concertos.

 

O Alentejo tem um número reduzido de festivais e eventos culturais. Como foi cativar parceiros e público para estarem envolvidos nesta ação e serem também um dos alicerces do conceito presente no Guitarras Ao Alto?

Esse é o grande desafio. Fazer um evento destes em Lisboa não teria o mesmo interesse, nem o mesmo impacto. Queremos dar um conteúdo diferenciado e atraente para os locais, mas também usar essa diferenciação para trazer público de todo o país a ver um concerto original e visitar uma das regiões mais bonitas de Portugal. Pelo meio há o trabalho maior de tentar criar parcerias com entidades municipais e privadas, assim como com marcas de vinhos, que queiram contribuir para dar maior alcance ao projecto. Não é fácil, mas estamos na luta.

 

Como foram criadas e recebidas estas sinergias únicas entre artistas?

Essa tem sido uma das alegrias maiores do Guitarras ao Alto: dar aos músicos a possibilidade de tocar em espaços a que normalmente não chegam e com outros músicos com quem praticamente nunca tinham tocado, como acontece por exemplo este ano com o Peixe e o Frankie Chavez, que estão tão entusiasmados que vão reinterpretar músicas de ambos a quatro mãos. Algo nunca visto e que só vai ver quem vier ao Alentejo em Junho.

 

Pretendem levar o conceito do festival a outras regiões do país ou mesmo atravessar fronteiras?

O grande objectivo não é levar o conceito a todo o país, mas trazer todo o país ao Alentejo para experienciar o Guitarras ao Alto. E no futuro, idealmente, levar o Alentejo, via Guitarras ao Alto, além fronteiras, nomeadamente a Espanha. Mas claro que não descartamos nenhuma hipótese de expansão nacional, se nos for colocado esse desafio e fizer sentido. Mas a verdade é que queremos criar uma alma alentejana para o projecto.

 

De que forma a APORFEST poderá ser um contributo para a evolução do vosso conceito e da profissionalização do mesmo?

Como entidade central e agregadora dos festivais de música em Portugal, naturalmente que temos todo o interesse em usar e abusar de todo o conhecimento que a APORFEST tem nesta área, nomeadamente no que a patrocínios, apoios, intercâmbios e modelos de negócio diz respeito. Somos uma estrutura muito pequena, que tem outros focos profissionais, mas como acreditamos que temos um conceito diferenciador, a consultoria e experiência que a APORFEST nos pode transmitir é fundamental.

 

 

 

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