Ser internacional num local com 100 habitantes permanentes, é o FIMM. Entrevista: Jorge Rosado (Ass.


Está a decorrer a 4ª edição do FIMM - Festival Internacional de Música de Marvão que guarda a sua ocorrência anual para a última dezena de dias em julho. Este festival é já uma das referências em termos de programação musical clássica e várias são as novidades desta edição que terá o seu término a dia 30 num espetáculo especial da Orquestra de Marvão e que será presenciado pelo atual Presidente da República. Falámos com Jorge Rosado (Vice-presidente da Associação Marvão Music).


APORFEST: Está já a ocorrer a 4ª edição do Festival internacional de Música de Marvão. O que podemos esperar?

Jorge Rosado: O 4º FIMM propõe a programação mais ambiciosa de sempre e traz a Portugal artistas do mais elevado nível mundial. O público tem respondido com grande entusiasmo, reacção positiva que se reflecte no aumento significativo do número de visitantes e na sua distribuição pelos mais de 35 concertos e outras actividades paralelas: concertos e actividades dirigidos a crianças, concertos de Prelúdio e de Poslúdio, um piquenique musical na excepcional Quinta dos Olhos d'Água - situada no coração do Parque Natural da Serra de São Mamede. Os visitantes do FIMM encontram uma ligação extraordinária entre música, património histórico-cultural e natureza, que os cativa desde o primeiro momento e os faz querer regressar, sempre nos últimos 10 dias de Julho. Uma outra realização - que já se tornou uma das principais actividades do Festival - é a Marvão Festival Orchestra (MFO), orquestra composta por elementos da Orquestra de Câmara de Colónia e por músicos amadores de várias idades, provenientes dos vários cantos do mundo. Durante o Festival, este grupo ensaia arduamente, todos os dias, apresentando-se ao público no final com um concerto de estreia.


Como tem evoluído o festival?

Quando olhamos para trás, há 4 anos, aquando da primeira edição do FIMM - com uma programação de apenas três dias - e observamos o percurso efectuado, é impossível não sentir um orgulho e uma responsabilidade imensas. Orgulho por constatar o impacto positivo desta empreitada inusitada nas gentes de Marvão - terra onde vivem menos de 100 habitantes em permanência -, e a responsabilidade de dar continuidade a este evento, que foi considerado o Melhor Evento pelos Prémios Turismo do Alentejo, e que para muitos significa ou é um sinónimo de real desenvolvimento sócio-económico. Já não se consegue imaginar Marvão sem Música!


Como é a ligação com o Município de Marvão?

A Câmara Municipal de Marvão, co-organizadora do evento, é a casa do FIMM. O apoio à organização do Festival tem sido crescente e cada vez mais significativo, não sendo possível dissociar Marvão e o seu município da própria existência do Festival. Não contando com o apoio financeiro direto, seria impossível contabilizar o apoio indirecto em termos de logística e de recursos humanos. Sem o Município de Marvão não seria possível transportar 60 músicos Chineses desde as portas da vila até à entrada do Castelo em tempo recorde. Não seria possível levar artistas e público aos vários locais que servem de sala de concertos, incluindo aos municípios vizinhos.


O que representam as doações, amigos e círculos de pessoas para o festival? O que fizeram eles acontecer para esta edição?

Os Amigos e o Círculo de Patronos do FIMM representam uma rede mundial de particulares e empresas, todos ligados por um denominador comum: a sua paixão pela música clássica. Por motivos óbvios, jamais se poderia organizar um Festival com uma programação tão extensa e com mais de 300 artistas, provenientes de cerca de 25 países, numa localidade do Interior. Mas os Amigos e Patronos do FIMM não contribuem somente com apoio financeiro; o FIMM é organizado pela Associação Marvão Music, uma associação sem fins lucrativos criada para o efeito e constituída exclusivamente por voluntári