Ser Técnico de Som, como peça-chave de um festival. Entrevista: Pedro Cluny

Com a evolução dos festivais e o aumento da competitividade no setor e da exigência do seu público, promotor que se preze procura as melhores soluções a nível de som para se diferenciar e ir ao encontro dos artistas que programa assim como das expectativas do público ou até mesmo superá-las. É necessário com isso juntar-se e ter o suporte de bons técnicos de som que tenham um eficaz conhecimento prático para não existirem dores de cabeça no momento dos concertos. Falámos com um dos técnicos de som com maior prática e experiências de trabalho em festivais portugueses, Pedro Cluny, para nos falar sobre o "estado da arte" nesta área.


APORFEST: Qual foi o teu primeiro festival de música em que trabalhaste como técnico de som?

Pedro Cluny: O meu primeiro festival como técnico de som, se não estou em erro, foi o Sudoeste 2002.

Como é o trabalho de um técnico de som, em contexto de festivais, na atualidade?

Na actualidade a tecnologia é muito importante, estão sempre a sair novos equipamentos e temos de estar a par de quase todos. Por exemplo, em relação às mesas de som, estão sempre a sair novos modelos e é isto que as bandas internacionais pretendem quando trabalhas para elas, ter o equipamento mais atual.

Depois existe também a parte de actualização de firmware das mesmas e software, que sendo na mesma máquina exige sempre alterações na maneira de operação da mesma. Um exemplo fácil é quando passas de um Win Xp para o Win 10 - esse é o desafio, pois o técnico tem de estar apto para resolver qualquer problema em segundos, quando faz de "babysitter" a outro técnico que vem com a banda em que ele apenas tem que operar e estar dentro do básico dos equipamento, enquanto nós, de produção, temos de estar a par de toda as especificidades da mesa de som e deixar preparada uma base já configurada, para que seja mais fácil para o técnico dessa banda e claro para ganharmos tempo nos ensaios das bandas.

O que mudou?

É como disse anteriormente, a tecnologia. Passar de sistemas analógicos para digitais foi um grande passo para o som e técnicos de som em festivais.

A qualidade nesta área em Portugal tem evoluídos nos últimos anos?

Posso dizer que a nível técnico, em Portugal, estamos muito bem cotados lá fora, temos colegas no Dubai, Inglaterra, Holanda, etc. Neste momento viajei com uma equipa de sete técnicos de som portugueses para fazermos o Rock in Rio Brasil, uma pratica que já é corrente desde há alguns anos, tendo apoiado as edições de Madrid, Las Vegas e Brasil desde que o Rock in Rio chegou a Portugal [no ano de 2004].


Como é gerir (boas) relações com diferentes interlocutores (promotores) de variadíssimos festivais portugueses onde estás presente?

Não vejo que isso seja uma dificuldade, porque quando uma empresa de som leva os seu técnicos para o festival, existe uma forma de trabalho já desenvolvida ou longo dos anos por essa mesma empresa, onde as pessoas novas que vão entrando têm de estar a par desse esquema de trabalho. Com os promotores só temos de oferecer o que é exigido pelas bandas. E claro que existem outros festivais a nível internacional que agora começam a entrar em Portugal como é o caso recente do BPM (1ª edição portuguesa em Portimão), que vem com assinatura de um técnico que trabalha para o festival e aí sim temos de oferecer o que essa pessoa pretende, fugindo um pouco ao esquema de empresa.


O que falta para os festivais portugueses poderem ter o nível dos melhores festivais europeus em termos da qualidade de som e demais estruturas técnicas ligadas à atuação dos artistas ou djs?

Acho que neste momento não precisamos, temos a prova viva no Nos Alive em que são empresas portuguesas que dão este suporte e temos o Rock in Rio em que é uma empresa Brasileira com parceria com outra em Portugal que fazem todo o som do festival. Hoje grande parte dos equipamentos utilizados são já de Portugal e os técnicos também.

A nível de eletrónica temos vários exemplos, e podemos começar com algo que é muito importante que são as cabines de DJ que não pass