Sons que ocorrem pela 16ª vez no início do ano festivaleiro. Entrevista: João Manuel Esteves (Presidente CMArcos de Valdevez)

02/02/2018

O Sons de Vez chega mais uma vez a Arcos de Valdevez, sendo já difícil começar o ano de festivais sem deixar de lado este evento que recebe diferentes atuações portuguesas (nomes consagrados e nomes emergentes de diferentes estilos musicais) no seu auditório ao longo de várias por noites durante dois meses. É então a vez de falarmos com o atual presidente do município, José Manuel Esteves.

 

 

APORFEST: Mais uma edição do Sons de Vez, com um cartaz cheio de referências de várias gerações do acervo música português. Qual foi a estratégia para 2018?

José Manuel Esteves: A estratégia assentou no objetivo de consolidar uma linha de programação em seguimento da filosofia anterior destes 16 anos. Ligar nomes “históricos” com novos valores, sobretudo ligados à região e ao próprio concelho, é uma característica ainda mais afirmada desta edição.

 

Continuamos a defender uma linha de programação que coloque desafios aos músicos no sentido de apresentarem momentos diferenciadores e únicos no Sons, tomando partido do intimismo da sala e das possibilidades únicas de contacto tão próximo com o público; na verdade, tentamos potenciar cada vez mais esse informalismo e o demonstrar de que o sucesso dos projetos vive muito mais da empatia do que do afastamento “hierárquico” músico/ouvinte.

 

Que legado sentem que já construíram ao longo de tantas edições?

Um legado único. Na verdade não existe nenhum outro evento similar ao Sons quanto à realidade dos festivais/mostras de música em Portugal. Fomos talvez os primeiros a “ousar” colocar, sem medos, o rock e demais sonoridades menos “convencionais” num palco de auditório e com público sentado. Fomos também pioneiros na descentralização cultural fora dos grandes momentos e eventos de verão, tentando movimentar publico fora dessa zona estival, permitindo igualmente, e de forma fundamental, que os públicos de Arcos de Valdevez e da região tivessem acesso a uma (merecida) programação contemporânea e de matriz universal, minimizando assim esse estigma do “interior profundo”; ficamos muito contentes em sermos, fora dos grandes centros urbanos, os potenciadores da melhor musica portuguesa e de alguma forma, singela, mais uns dos “construtores” da sua História nos últimos anos.

 

É mais fácil hoje atrair público de fora de Arcos de Valdevez para o festival ou não? Porquê?

Sim. É mais fácil sobretudo pelo facto de o Sons de Vez ser cada vez mais “o primeiro festival do ano” e por ter uma marca identitária muito mais forte, que somente a persistência e o tempo acabam por trazer, embora assumamos também que a originalidade, ousadia e qualidade dos diversos projetos, mais de 143 nestes 16 anos, são fatores de captação de público. Claro que a comunicação é agora mais facilitada pelas possibilidades da Internet, mas esse trabalho tem de ser muito mais focado e tratado, fruto sobretudo da massificação de informação e pela óbvia existência de muito mais propostas culturais e de opções. nomes emergentes do mundo da música, referências para as novas gerações e cuja música atua como agente de mudança.

 

Ao estar muito perto da Galiza porque não existe uma programação com artistas/bandas de Espanha?

O Sons é assumidamente um projeto focado 100% na música sediada em território nacional ou nos artistas portugueses que a “fabricam” fora de portas. A Galiza é contudo um mercado forte do Sons, pois essa proximidade incentiva os nosso vizinhos a virem até nós, não com o intuito de verem projetos espanhóis, mas sim para contacto com os sons nacionais; existe sobretudo na Galiza uma atenção e um carinho muito especial pela nova musica nacional, mas também pelos nomes mais consagrados, pelo que cada edição do Sons de Vez cresce em presenças do outro lado da fronteira.

O ano de 2018 vai ser de fortes inovações tecnológicas introduzidas ao dispor dos festivais portugueses. Pensam fazer evoluir por aí o vosso festival?

A filosofia do Sons, com as suas características de pequena dimensão, intimismo e proximidade, não carece de investimentos em inovação e tecnologia como outros eventos de grande escala e forte competitividade; digamos que o Sons é único no seu género, e tem muito desse informalismo e “nudez” de conceito como comunicadores da sua mensagem. Contudo estamos, como óbvio, atentos às vantagens da tecnologia como facilitador de comunicação e de divulgação, e sobretudo desta como elemento de eficácia cada vez maior de materialização dos projetos musicais ao nivel cénico e sonoro, pelo que o Sons tem um forte investimento nessa componente, colocando o Auditório da Casa das Artes como um local de excelência para o som e de materialização do conceito total do espetáculo.

 

De que forma a Aporfest é um mecanismo de apoio do mesmo?

A APORFEST é para o Sons, e claro para a globalidade dos festivais em Portugal e também em Espanha, um parceiro incontornável de divulgação, promoção e dignificação das centenas de artistas, dos seus projetos e de todos os que direta e indiretamente fazem da musica o seu veiculo de trabalho e celebração; há na verdade um momento antes da APORFEST e um momento após a sua existência; a forma como têm apoiado a realidade excecional dos festivais é meio caminho para o atual reconhecimento dos mesmos e da sua importância no tecido cultural e económico do país, independentemente da dimensão, orçamento e objetivos de cada uma dessas realizações. Por nós, assumimos mais uma vez esse agradecimento e reconhecimento pelo trabalho desenvolvido; bem hajam!

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