Sons que ocorrem pela 16ª vez no início do ano festivaleiro. Entrevista: João Manuel Esteves (Presid

O Sons de Vez chega mais uma vez a Arcos de Valdevez, sendo já difícil começar o ano de festivais sem deixar de lado este evento que recebe diferentes atuações portuguesas (nomes consagrados e nomes emergentes de diferentes estilos musicais) no seu auditório ao longo de várias por noites durante dois meses. É então a vez de falarmos com o atual presidente do município, José Manuel Esteves.


APORFEST: Mais uma edição do Sons de Vez, com um cartaz cheio de referências de várias gerações do acervo música português. Qual foi a estratégia para 2018?

José Manuel Esteves: A estratégia assentou no objetivo de consolidar uma linha de programação em seguimento da filosofia anterior destes 16 anos. Ligar nomes “históricos” com novos valores, sobretudo ligados à região e ao próprio concelho, é uma característica ainda mais afirmada desta edição.


Continuamos a defender uma linha de programação que coloque desafios aos músicos no sentido de apresentarem momentos diferenciadores e únicos no Sons, tomando partido do intimismo da sala e das possibilidades únicas de contacto tão próximo com o público; na verdade, tentamos potenciar cada vez mais esse informalismo e o demonstrar de que o sucesso dos projetos vive muito mais da empatia do que do afastamento “hierárquico” músico/ouvinte.


Que legado sentem que já construíram ao longo de tantas edições?

Um legado único. Na verdade não existe nenhum outro evento similar ao Sons quanto à realidade dos festivais/mostras de música em Portugal. Fomos talvez os primeiros a “ousar” colocar, sem medos, o rock e demais sonoridades menos “convencionais” num palco de auditório e com público sentado. Fomos também pioneiros na descentralização cultural fora dos grandes momentos e eventos de verão, tentando movimentar publico fora dessa zona estival, permitindo igualmente, e de forma fundamental, que os públicos de Arcos de Valdevez e da região tivessem acesso a uma (merecida) programação contemporânea e de matriz universal, minimizando assim esse estigma do “interior profundo”; ficamos muito contentes em sermos, fora dos grandes centros urbanos, os potenciadores da melhor musica portuguesa e de alguma forma, singela, mais uns dos “construtores” da sua História nos últimos anos.


É mais fácil hoje atrair público de fora de Arcos de Valdevez para o festival ou não? Porquê?

Sim. É mais fácil sobretudo pelo facto de o Sons de Vez ser cada vez mais “o primeiro festival do ano” e por ter uma marca identitária muito mais forte, que somente a persistência e o tempo acabam por trazer, embora assumamos também que a originalidade, ousadia e qualidade dos diversos projetos, mais de 143 nestes 16 anos, são fatores de captação de público. Claro que a comunicação é agora mais facilitada pelas possibilidades da Internet, mas esse trabalho tem de ser muito mais focado e tratado, fruto sobretudo da massificação de informação e pela óbvia ex