Como pode um meio de comunicação online diferenciar-se e criar uma necessidade? Entrevista: Luís Sousa (diretor Música em DX)

Para muitos saber onde encontrar as melhores críticas e fotografias de bandas em concertos e festivais que decorram em Portugal é ir à procura do que o blog/revista/meio de comunicação Música em DX publica. Foi assim que se afirmou no nosso panorama e que traz a seu reboque um carinho e reconhecimento da indústria pelo que tem produzido. Esta 6ªfeira realiza-se a celebração do seu 4º aniversário no Sabotage (Lisboa) e falámos por isso com o seu responsável Luís Sousa.

 

 

APORFEST: Vem aí um aniversário especial para a Música em DX. Como tem sido a implementação do vosso projeto no panorama media português? Que dificuldades sentem?

Luís Sousa: É verdade, aproxima-se o nosso 4º aniversário que celebraremos “oficialmente” a 13 de abril de 2018 (Sabotage Club, Lisboa - concertos, venda de produtos e muitas surpresas). A experiência tem sido magnifica, de aprendizagem e troca de experiências constantes, num meio onde a maioria de nós nunca se tinha movimentado. Fomos conquistando a confiança de todos, o nosso público, agentes, promotores, editoras, artistas, até outros meios de comunicação social, com a forma como os abordamos, e sobretudo, com o resultado do nosso trabalho e iterações constantes antes, durante e depois do que fazemos, em tudo o que fazemos. É importante não só iniciarmos os contactos, mas também mostrar porque é que os contactámos. A forma como comunicamos, independentemente da sua visibilidade no mercado, é também outra das mais valias que temos mantido desde o inicio.

 

Como conseguem rentabilizar o vosso projeto? É possível manter-se assim no futuro?

Esse é talvez o maior desafio que este tipo de projetos enfrenta todos os dias. O nosso projeto é puramente amador, que funciona todos os dias úteis das 19h às 3h da manhã, e fim-de-semana o dia inteiro, mas movimenta-se num meio que é 100% profissional, onde todas as partes envolvidas garantem rendimento resultado do seu trabalho. Porque motivo não conseguem estes meios de comunicação ter rendimento direto da sua atividade diária com estes agentes? São veículos de promoção e divulgação de artistas, eventos, editoras, promotoras, etc. Apesar de já termos tido experiências anteriores onde tenhamos rentabilizado o nosso trabalho, essas foram os raríssimos momentos onde tal aconteceu. Com a propagação nos últimos anos dos vulgarmente denominados blogs de música neste mercado – designação redutora da sua atividade - a música em Portugal já depende também destes projetos, a ausência de financiamento direto decorrente desta atividade deve ser discutida entre todos os responsáveis por estas publicações, e resolvida nos próximos anos com risco destes projetos ou, continuarem a serem vistos como “projetos de miúdos que querem ver concertos à borla”, ou simplesmente acabarem.

 

Os meios online passam por uma grande revolução na última década. É difícil estes subsistirem e conseguirem manter-se e ganharem credibilidade junto dos seus stakeholders, no vosso caso promotores e artistas. Como conseguiram tornar o projeto bem-recebido por estes?

A resposta a esta questão resume-se à junção das minhas respostas às duas primeiras questões. Os vulgarmente denominados por blogs de música passaram a serem considerados revistas de música online pela qualidade e abrangência com que interagem com o mercado. A credibilidade de vários projetos foi ganha por esta qualidade, e, disponibilidade em chegar cada vez mais rápido aos fãs das bandas, dos festivais, etc.

 

Acham o vosso meio online, um estudo de caso? Existem bons projetos como o Shifter, Noite e Música Magazine e o vosso o que tem de especial?  

Honestamente, não acho que sejamos um caso de estudo. Considero que, a par dos projetos que referes, somos uma revista online que trata a música com muita dedicação, honestidade, respeito, e qualidade no que fazemos. A Shifter, pela semelhança do perfil de música que divulgamos e pela qualidade dos seus trabalhos, é um dos projetos que mais acompanhamos, assim com a Tracker Magazine ou a WAV pelos mesmos motivos. A Noite e Música Magazine, apesar de tratar de outros tipos de registos que por questões editoriais não consideramos, reconhecemos que é também um dos projetos que trata este mercado da mesma forma que o fazemos. Corro o risco de não mencionar outros tantos projetos que têm muita qualidade, que admiramos pelo enorme esforço que sabemos que todos fazem para conseguir “estar sempre online”, e esse facto é demonstrativo que a comunicação social dedicada exclusivamente à música é cada vez mais importante, influente e saudável.

 

Se soubessem das dificuldades o que mudariam no vosso percurso? Pretendem internacionalizar-se?

Rapidamente nos apercebemos das dificuldades que existem quando se tenta ter online um projeto cuja vida depende das horas extra – pós laboral – de cada um de nós. De qualquer forma, e aqui posso responder por todos, a nossa presença tem sido enriquecedora para cada um de nós, à sua maneira todos tiramos o proveito que pretendemos deste projeto, a troco de vários euros gastos. Pessoalmente, pretendemos não só divulgar a música que todos gostamos – e que forma a nossa linha editorial – mas também, e individualmente, cada um de nós tem apurado as suas valências, quer seja a escrever ou a fotografar, mas também a trabalhar em grupo e liderar pequenos projetos. A internacionalização tem sido pontual, tivemos uma experiência em festival – em 2016 com o Resurrection Fest na Galiza, e uma primeira experiência em 2015 com o concerto de Warcry na Sala Riviera em Madrid. Gostaríamos de ter vida para o fazer, mas neste momento não temos qualquer possibilidade a não ser muito pontualmente.

 

De que forma a APORFEST tem sido um apoio no vosso percurso?

Vemos na APORFEST um parceiro [do qual me associo] em que confiamos pelos seus objetivos comuns ao nosso projeto. Continuamos a ver na APORFEST uma entidade que não só divulga de forma sã e proativa várias atividades em redor da música, mas sobretudo, promove a união e parcerias entre vários agentes que partilham da sua postura e dos seus objetivos.

 

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