O público é ator no Festival Tradidanças. Entrevista: Filipa Pereira (produtora)

Acontece em S. Pedro do Sul um festival que tem apenas a sua 2ª edição mas que vai integrar na sua programação diferentes atividades que se segmentaram pelos períodos de um dia - manhã, tarde e noite - um festival familiar, com preocupação sustentável e das crenças culturais e que pretende diferenciar-se no mercado português. Falámos com Filipa Pereira, a sua atual produtora.

APORFEST: O que é o Tradidanças?

Filipa Pereira: O Tradidanças é um festival de Tradições, Dança, Música e Natureza que acontece nos dias 2, 3, 4 e 5 de agosto em Carvalhais (São Pedro do Sul) cuja programação incide, maioritariamente, na música e dança (folk) ligadas às tradições, e ainda na promoção do património natural e cultural da serra da Arada. Este é um evento de cariz participativo que se desenvolve a partir de oficinas (workshops) de dança do mundo nas tardes do festival (indianas, africanas, brasileiras, irlandesas, dos Balcãs, galegas,…) que, umas horas depois, confluem em bailes marcados pela sinergia entre músicos, monitores e o público que dança. Existem ainda oficinas em torno de instrumentos musicais, relaxamentos/oficinas de desenvolvimento pessoal, oficinas de artes plásticas, artes de rua e saberes sobre o património local (como a confeção da broa de milho da região) que, igualmente, permitem aos participantes serem atores no próprio evento. Há igualmente espaços em que o público é (mais) espectador, como nos concertos (palco principal e igreja), nas conversas de balneário, nas sessões de contos e nas performances de rua. Este é, por isso, um festival que procura não só dar a conhecer aos participantes saberes tradicionais da região, mas também da cultura de outros lugares através da diversidade nas danças, nos produtos da Feira de Artesãos e Expositores e nos sabores gastronómicos (locais, vegetarianos e internacionais) que oferece. O Tradidanças é organizado pela Associação Turística e Agrícola da Serra da Arada (ATASA), em parceria com o Município de São Pedro do Sul e com a União de Freguesias de Carvalhais e Candal.


Qual a evolução que o público vai experienciar da edição de 2017 para esta que ocorrerá no próximo verão?

A edição de 2018 vai relevar-se assumidamente folk e ligada à música do mundo. Em 2017, a aposta incidiu em sonoridades mais alternativas, do rock ao trance e techno. Este ano, em termos musicais, a programação é totalmente voltada para uma dinâmica de oficinas, bailes e concertos com artistas folk, das danças tradicionais e do mundo (que já aconteceram na primeira edição, mas em menor quantidade), conforme acontecia quando o Festival Andanças decorria neste local.

Outra aposta deste ano é a entrada das tradições no recinto do festival. Assim, a par das Viagens de Tradição e das Viagens de Natureza que se realizam nas manhãs do evento pelas aldeias do território da serra da Arada (estando o recinto do festival fechado para testes de som e reposição de produtos) e que permitem um contacto com os lugares, suas práticas culturais e ainda com a paisagem natural, dentro do recinto as tradições também terão o seu protagonismo no laboratório da tradição. Neste lugar, em cada dia do festival, estará um habitante da comunidade local, um produtor detentor de um saber, que o dará a conhecer através de conversas, demonstrações e, caso se aplique, degustação de produtos gastronómicos. É um espaço onde os participantes podem entrar, colocar questões e aprender 4 tradições da região.

Na designação do festival, este ano acrescentou-se o conceito Natureza de forma a integrar os valores da paisagem natural do território (conhecido pela beleza das suas serras e pelos seus ribeiros com “poços” ou piscinas naturais) e porque se acredita que, à concretização do festival, deve estar associado um esforço de redução do seu impacto ambiental na comunidade e uma preocupação na difusão de valores ambientais.