Não é apenas mais um festival de música eletrónica, é o RPMM Global. Entrevista: Mário Matos (diretor)

25/07/2018

Ocorre este fim-de-semana, entre os dias 28 e 29 de julho, a 1ª edição do Rpmm Global, um festival com cunho internacional e representação nacional diversificado por vários palcos que fará com que o seu conceito marque certamente a agenda dos festivais em Portugal. Falámos com um dos organizadores, Mário Matos.

 

 

APORFEST: O que é o RPMM Global?

Mário Matos: O grande objectivo do RPMM é promover um encontro anual de pessoas apaixonadas por música electrónica que se juntam para ver e ouvir artistas conhecidos e descobrir novos talentos em vários locais icónicos do Porto, uma cidade com uma história e beleza únicas. Por isso, a ideia é criar uma plataforma onde artistas de todo o mundo, já reconhecidos ou ainda em ascensão se possam encontrar e que, juntos, promovam muitas horas de dança de qualidade. Mas essa plataforma não estará activa durante apenas estes três dias! Queremos que o festival seja um local de diversão para o público e uma oportunidade de ouvir boa música mas o nosso projecto é continuado. RPMM significa Representing People Music Movement e temos a ambição de actuar a nível europeu, com festas organizadas em vários países, abrindo a tal plataforma de partilha a novos artistas e novos públicos.

 

Porquê a aposta no mercado português e mais concretamente na cidade do Porto?

Um dos pontos centrais para o RPMM é acreditar que o Porto tem um enorme potencial para se tornar o principal destino português para todos os fãs de música electrónica, de forma a ganhar um lugar de destaque no mapa global da música de dança. Para isso estamos a trabalhar com vários artistas e espaços locais que fazem parte da cultura de dança da cidade. Para além disso, a cidade do Porto é magnífica e o local perfeito para um festival urbano: com um centro histórico património da UNESCO, com uma vida e energia muito intensas e, no entanto, é muitas vezes colocada em segundo plano como centro urbano. Quisemos chamar todas as atenções para o Porto e também aproveitar a relação com o Rio Douro, e os espaços da Alfândega e do Cais Novo são perfeitos para isso.

 

Como se diferenciam dos demais festivais de música eletrónica no país?

O que torna o RPMM único é o facto de ser um festival urbano com uma combinação única de talentos locais e artistas internacionais, abrindo um espaço para que o Porto possa mostrar o que tem para oferecer à audiência global da música electrónica. Também estamos mais focados numa cultura de união e não tanto na tentativa de apontar o que nos torna diferentes dos outros festivais da mesma categoria porque o objectivo final do RPMM é ajudar a divulgar o imenso talento que Portugal tem para oferecer. Apostámos na diversidade e oferecemos um palco para que artistas com diferentes backgrounds possam mostrar a sua música. Para isso contamos com vários parceiros como a Antena3, Yo Are We, keep on Dancing, Ibiza Voice, Half Baked, Meoko e Musik@ll que serão curadores de espaços como o Cais Novo, o Indústria e o Gare Porto.

 

De que forma foi idealizada a vossa comunicação ao público?

Queremos que a divulgação também aconteça de forma orgânica, através do “passa a palavra”, à medida que as pessoas se interessem e gostem do conceito do RPMM e do grande festival que estamos a preparar. Para além disso também usamos todas as plataformas de comunicação convencional e contamos com duas grandes equipas, nos Estados Unidos e em Portugal, que têm trabalhado bastante para fazer chegar o RPMM ao maior número de pessoas possível.

 

Vão ter mais público nacional ou internacional?

Esperamos ter entre 70% e 80% de audiência portuguesa. O RPMM é em Portugal e por isso espero que os portugueses venham vivenciar esta experiência inesquecível! Mas também temos apostado na divulgação internacional e queremos aproveitar o facto de Portugal – e, em especial, o Porto – ser um dos grandes destinos turísticos de 2018, principalmente na altura do Verão. Esperamos ser bem recebidos por todos os que vivem no Porto e arredores porque vamos dar uma nova vida a espaços que já conhecem mas também queremos entrar nos roteiros turísticos, numa altura em que o turismo musical é uma aposta cada vez maior em Portugal.

 

Quais os vossos planos nos próximos 2-3 anos?

O plano é continuar a crescer e a subir a fasquia criativa de forma a que cada edição seja maior e melhor, com a ajuda de uma equipa muito experiente na criação e produção de eventos de música no mundo inteiro. Para além disso contamos com a direcção artística de Jonny TV que, para além de gostar muito do Porto tem um currículo imbatível - tendo trabalhado já com os Primal Scream e os The Chemical Brothers - e por isso temos planos ambiciosos para os próximos 10 anos.

 

Há espaço para melhorias no futuro, nomeadamente em termos de apoio e line-up?

Claro que sim! O nosso objectivo é ir aprendendo ao longo dos anos e continuar a trabalhar para que cada vez mais pessoas venham ao RPMM e para que se sintam como parte da comunidade . Como queremos estar em diálogo constante com a cidade e os seus habitantes, cada edição futura vai apostar em laços cada vez mais próximos, com colaborações com novos espaços, novos músicos e outros projectos locais que possam complementar o conceito.

 

De que forma a APORFEST e os seus eventos profissionais Talkfest e Iberian Festival Awards poderão ser essenciais para o desenvolvimento do projeto?

Todo o apoio que recebemos é muito bem-vindo, especialmente para divulgar a nossa mensagem e projecto a nível nacional porque, apesar de estarmos a organizar um festival no Porto, queremos chegar a pessoas de todos os cantos do país, de norte a sul! O RPMM é um festival para inclusivo, que convida todas as pessoas a fazerem parte desta comunidade. Com este objectivo em mente e sendo esta a primeira edição do festival, é uma mais-valia fazer parte da rede de festivais que conta com o apoio da Aporfest.

 

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