Gastos com segurança ameaçam a realização festivais na Europa

30/08/2018

 

Os gastos com segurança ameaçaram a realização de vários festivais de verão em diversos países da Europa este ano, nomeadamente na França, no Reino Unido e na Bélgica, que foram dos países mais fustigados com ataques terroristas num passado recente.

 

Os festivais são o novo "boom" cultural e com isso trazem atrelados a si um importante fator de mediatismo que importa ser preservado e defendido.

 

A título de exemplo o governo francês decidiu cobrar aos promotores de festivais de música e outras atividades culturais uma contribuição financeira extraordinária para cobrir os gastos com o envio de polícias responsáveis pela segurança nomeadamente na deteção e prevenção de atentados - e.g. materiais especiais; blocos de cimento para fechar ruas; barreiras metálicas; câmaras de vigilância. Ao temer um impacto orçamental grave, na área de segurança pela implementação da nova taxa que poderá implicar 100 a 120% de agravante financeira em muitos casos, alguns promotores decidiram não realizar as edições de 2018 (e.g. Champs Libres) ou cumpriram as mesmas com um notório défice artístico (e.g. Les Eurockéennes) quando comparado com anos anteriores e pensam não realizar as edições do próximo ano.

 

A ameaça terrorista que paira na Europa faz com que as exigências em termos de segurança em recintos ao ar livre sejam cada vez maiores, existindo ainda um grande défice de controlo em eventos de entrada gratuita que aumentaram de número (e aqui Portugal tem também muito a implementar e fazer cumprir) nas áreas de música, dança, teatro, gastronomia e de cruzamentos artísticos. Noutros países para se garantir a tranquilidade do público foi preciso reforço policial e de agentes de segurança privada assim como um maior critério de revista e proibição de materiais a entrarem em recintos.

 

Isto será um problema futuro em Portugal ou viveremos para sempre de brandos costumes? Os festivais têm orçamentos na sua grande maioria com pouca margem de manobra económica e por isso o futuro passará por mais presença musculada de polícia e outras entidades e o que será com isso descurado? Estará o público português disposto a pagar ou pagar mais para aceder à cultura (em segurança), à qual muitas vezes tem já dificuldade em valorizar? Deverão existir então novos apoios aos promotores?

 Créditos: Hugo Rodrigues (Musa Cascais 2017)

 

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