OPINIÃO: A Lusofonia da música em Cabo Verde

AME 2018 – A Sétima Edição do Atlântic Music Expo 2018

 

A renúncia do Governo  em continuar a  financiar e a co-produzir a AME, uma vez que esta vinha a consumir um terço do orçamento de investimento do Ministério da Cultura e das Indústrias Criativas, de Cabo Verde, gerou polémica nos círculos culturais do país, junto da população, agentes culturais e empresários, dentro e fora do país, colocando em causa a concretização da VII Edição daquele evento. Face às ondas de choque de insatisfação, o Governo, viu-se forçado a estar envolvido na promoção e sustentabilidade do referido Evento, através e verbas oriundas do Fundo do Turismo, mas “passando” a sua concretização para outrem. Neste sentido foi criada a Associação Cabo Verde Cultural (ACVC), constituída por 10 Produtores nacionais, a fim de assumir o compromisso e dar continuidade a esta mostra da música, com um orçamento de apenas 16 mil contos cabo-verdianos, isto é, redução de 50%, comparando com edições anteriores. Verbas estas oriundas além do Fundo do Turismo, também reforçadas com as de dois parceiros mais antigos do evento, o Banco Comercial Atlântico e a Garantia Seguros, entre outros apoios vindos de empresas e instituições nacionais e internacionais. São parceiros do AME, ainda a Câmara Municipal da Praia e a Womex.

 

Decorreu em abril último o AME2018 e na pessoa do Presidente da ACVC, Augusto Veiga, regozijou-se pelo fato de em tempo recorde de cinco meses a organização por de pé o Evento, que normalmente levaria um ano a ser planeado e produzido, reforçando o mesmo que, à volta do AME, contaram com a solidariedade de vários países que participaram no evento por conta própria e pela primeira vez, como foi o caso do Canadá, com 30 pessoas, uma delegação de 10 pessoas da China, Itália com 10 pessoas e ainda a Coreia do Sul. Na VII edição do AME, estiveram presentes  30 jornalistas de diferentes órgãos de comunicação social de vários países, mais de 400 delegados, mais de 200 músicos a atuar, sendo  120 internacionais e 80 nacionais e mais de 38 países presentes, desde a China à Guiné-Conacri, passando pelo Senegal, Argélia, Congo, Chade, Portugal, entre outros. Exemplo a seguir e nota positiva aos Produtores caboverdianos e à ACVC, que de uma forma empreendedora, abnegada e motivadora em prol da Musica e da Cultura global, muito em especial do seu Presidente, Produtor e Agente Cultural cabo-verdiano, Augusto Veiga.

 

 

Residência Artística – Sons da Lusofonia - 2018

 

À margem do AME 2018, a Marchand´Artes em parceria com o Boutique Hotel Pescador, realizou entre os dias 13 e 22 de Abril, a 1ª Residência Artística – Sons da Lusofonia 2018, tendo como seu curador o músico lusófono de naturalidade angolana, radicado em Portugal, Yami Aloelela, tendo este como convidados permanentes os músicos multi-instrumentistas portugueses  José Barros, dos  Navegantes, e Gonçalo de Sousa na Harmónica. O certame visou promover: o intercâmbio cultural, a troca de experiências artísticas, o diálogo sobre a música eos seus agentes principais que são os músicos e as culturas diversificadas no espaço da CPLP. Decorreram ainda atividades ao nível do artesanato, pintura, leitura, responsabilidade social, através de pequenos concertos, conferências, workshops, degustações e exposições. As temáticas presentes nas “discussões” dos fóruns, encontros e mesas redondas promovidas em todos os dias da Residência, versaram assuntos como; Gestão Coletiva e Direitos de Autor nos Países da Lusofonia; CPLP – Arte, Cultura e Músicas Sem fronteiras – Livre Trânsito, Património Lusófono da Humanidade; Morna, Fado e Cante, Cultura como Veículo de Cooperação e Desenvolvimento; Responsabilidade Social na Música e na Cultura, assim como Instrumentos Tradicionais de Percussão, Sopro e de Cordas. Dos convidados do músico residente Yami Aloelela, que diariamente enriqueceram com as sonoridades e culturas de referência a cada país lusófono, destacamos: Cremilda Medina de Cabo Verde; Remna Schwarz da Guiné-Bissau; José Perdição de Portugal, mas radicado há inúmeros anos em Cabo Verde; Ndú,  Binga, Tété Alhinho, Sara Alhinho também de Cabo verde, entre outros que no âmbito do AME que se deslocaram à Residência, colorindo musicalmente com as suas sonoridades brasileiras, angolanas, são-tomenses e guineenses, o evento. O mesmo contou ainda com inúmeras presenças ao vivo e em direto para vários programas na televisão e na rádio, assim como a cobertura jornalística e cultural dos eventos diários, a visita à Fundação Amílcar Cabral, a uma Escola de aprendizagem musical para crianças e a uma parceria na Cidade Velha com as Batucadeiras locais e a reunião de trabalho com a Sociedade Caboverdiana de Autores, SOCA.

 

 

Cabo-Verde Music Awards

 

A Organização dos Cabo Verde Music Awards, tem já definidos os três elementos do Júri, no âmbito da seleção dos artistas e músicos caboverdianos que se destacaram nas 17 Categorias de seleção, na Comissão Regional de Nomeação – Europa Ocidental, englobando Portugal, Espanha, França, Suiça e Itália da próxima edição.

 

 

MÚSICO – CARLÃO; GALA CVMA 2018 e COMEMORAÇÃO DIA DA EUROPA

 

A Marchand´Artes, em trabalho com a organização dos Cabo Verde Music Awards e o Ministério da Cultura e das Indústrias Criativas de Cabo Verde, convidaram o músico e artista lusófono Carlão a estar presente na 8ª edição da cerimónia da entrega dos Prémios da Música Caboverdiana que aconteceu dia 5 de Maio, na Assembleia Nacional de Cabo Verde, na cidade da Praia, tendo em conta o percurso, a carreira, mas também a forte ligação do artista  aos países de expressão lusófona. A cada ano, os CVMA, que são transmitidos em direto pela RTP-África, RTCV e nos vários canais nacionais dos PALOP, procuram unir a lusofonia. Melhor do que ninguém, como Carlão que difunde, divulga e une as gente lusófonas através das suas letras, da sua música, dos seus vídeos, das suas partilhas e intervenções sociais. Assim sendo, o artista marcou presença em Cabo Verde no dia 5 de Maio, onde atuou ao vivo com dois temas na companhia dos músicos e artistas seus parceiros de estrada, Bruno Ribeiro e DJ Glue, cabendo-lhe ainda a honra da entrega de dois Prémios a artistas finalistas no âmbito dos CVMA.

 

Ainda no âmbito de parceria de trabalho com a Delegação da União Europeia em Cabo Verde, contou-se com a atuação e participação do Carlão no âmbito das Celebrações do Dia da Europa 2018, sob o lema em Cabo Verde Ano Europeu da Herança Cultural, que teve lugar na cidade da Praia, iIlha de Santiago e na Ilha do Maio, de 3 a 8 de Maio. O artista participou em três momentos:

a) com atuação ao vivo no dia da Programação Oficial do Dia da Europa, no Palácio Ildo Lobo;

b) com uma intervenção na Conferência/Workshop promovida pela Universidade de Cabo Verde, nas instalações daquele estabelecimento de ensino superior, subordinada a temas de Direitos Humanos, Xenofobia, Racismo, Inclusão Social, aliás na senda de um trabalho universitário com edição de livro já realizado sob o tema “Livres e Iguais”;

c) visita e interação ao Projeto Xalabas / Turismo Comunitário, no âmbito da sua Responsabilidade Social.

 

 

CPLP - MOBILIDADE DE ARTISTAS E AGENTES CULTURAIS

 

Realizou-se a XII Conferência da Comunidade de Países de Língua Portuguesa, CPLP, de Chefes de Estado e de Governo da CPLP, na Ilha do Sal - Cabo Verde, dias 17 e 18 de Julho. e com inicio da Presidência de Cabo Verde sob o lema “Cultura, Pessoas e Oceanos”. A livre circulação de pessoas e bens, acabar com as barreiras fronteiriças entre as nações da Comunidade, autorização automática de residência em casos particulares, para já. As ideias repetiram-se nas intervenções dos principais atores ainda antes da abertura oficial da Cimeira. Segundo António Costa, Primeiro-Ministro de Portugal, disse que; “a Agenda que foi proposta pela presidência cabo-verdiana mostra que estamos focados no que é mais importante que são os cidadãos dos países da CPLP…”, já o optimista por natureza Chefe do Estado de Portugal, acrescentou “…que foram dados passos positivos. É um processo contínuo e calha numa boa altura, com uma presidência importante… onde o surgimento de ideias muito claras e exequíveis, quanto às pessoas, quanto à cultura, quanto aos oceanos e quanto à abertura ao mundo”. Muito se falou na Mobilidade, principalmente a Empresarial e a Cultural, urge aligeirar e derrubar as barreiras que têm persistido existir no espaço de livre circulação da CPLP. Existem constrangimentos de várias ordens quer no plano interno de cada país, tendo uns optado por medidas bilaterais mais concordatas e de derrube fronteiriço, havendo contudo barreiras impostas em muitos do Estados por imposição de compromissos no âmbito das Organizações Internacionais regionais a que pertencem; EU, OUA, etc.

 

A dualidade de critérios, a imposição da existência de artistas e agentes culturais de níveis diferenciados, entre “filhos” e “enteados”, a imposição e proibição de livre circulação para uns e a livre circulação e liberdade para outros, num mesmo espaço que se designa por Comunidade, é algo aberrante e que urge trabalhar para que todos possamos nos movimentar, difundindo e cruzando Culturas que muito nos orgulhamos de transversalmente defender perante o Mundo, quer sob a língua portuguesa, quer sob a língua mãe de cada país, ou dialecto étnico de cada região.

 

Sobre o assunto, voltaremos em breve e num artigo próprio, a abordar pela pertinência que tem para os artistas e para os agentes culturais, o assunto, quer nas decisões da Cimeira, quer nas Propostas existentes, quer no trabalho já desenvolvido ou trabalho a desenvolver no âmbito da Presidência cabo-verdiana da CPLP.

 

 

ACVFEST - APORFEST

 

Estão em franco desenvolvimento os contactos e para médio prazo a constituição da Associação Cabo-verdiana de Festivais, com o apoio da APORFEST, formalizado com uma Linha de ação, onde constarão do Protocolo, a Formação, a Consultadoria, a Informação Privilegiada, a Legislação, o Apoio Social e de Responsabilidade Social, Participações e Produções Bilaterais, etc.

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