Carviçais adapta o seu festival às escolhas do público jovem atual. Entrevista: Diogo Braz (diretor

O Festival Carviçais possuí uma história singular no panorama dos festivais portugueses tendo passado por diversas fases, sempre tentando adaptar-se ao contexto onde se realiza e às exigências do público que o frequenta. Em 1996 teve a sua primeira edição e nos anos consecutivos seguintes recebeu os maiores artistas rock nacionais e alguns dos melhores internacionais - e.g. The Gift, Young Gods , Thievery Corporation, Napalm Death, Xutos & Pontapés - numa organização essencialmente privada e que colocou o festival como uma referência nacional. Hoje a sua produção está sob a responsabilidade pública, existem muito mais concorrentes, tirou a vertente "Rock" como único estilo musical presente, e por isso tenta ir ao encontro daquilo que são as preferências do público local procurando ter uma abrangência nacional. Falámos com o seu responsável artístico.


APORFEST: O que podemos esperar do Festival Carviçais para 2019? Diogo Braz: O Festival Carviçais surge este ano com uma “cara” renovada, com o objetivo de abranger um número maior [de espectadores] no que diz respeito ao público-alvo. Dispõe de um cartaz muito bem conseguido, com artistas de renome do panorama nacional, como é o caso de Bezegol, Mundo Segundo e Sam the Kid, Karetus ou Putzgrilla. Para além da música e dos concertos que se aguardam muito ansiosamente, o Festival Carviçais também proporciona uma série de atividades, entre as quais, o Rally-Tascas, o 3x3 Futebol de Rua, o Gira-Volley ou a Liga FIFA, das quais os festivaleiros podem usufruir e assim ficar a conhecer mais sobre esta aldeia do nordeste transmontano. Para a edição deste ano, vamos apostar muito nas condições do campismo, com o objetivo de acolher um maior número de festivaleiros na aldeia. A área da cultura e dos festivais evoluiu muito na última década - mais eventos mas também mais público predisposto a alargar o seu conhecimento. Como desviam as atenções para o vosso festival que decorre fora dos grandes fluxos populacionais?

O nosso Festival marca a diferença por ser realizado em contexto rural, numa aldeia do interior transmontano. Para quem gosta de adquirir novos conhecimentos, de explorar/visitar novos locais e sair do seu habitat natural é um ótimo ponto de encontro para o fazer. Aliado a esse conhecimento e a esse saber, há também a parte da diversão e felicidade com a qualidade da música a vir ao de cima. Porque deixaram cair a designação rock no nome do festival?

Tal como foi referido na primeira questão, alteramos o conceito com o objetivo de alargar e abranger o nosso público-alvo, e assim não estarmos restritos ao conceito de rock [que se tem afastado nas escutas preferenciais do público-jovem atual]. Como se diferenciam dos restantes festivais com um line-up semelhante ao vosso?

O que nos torna diferentes em relação aos outros festivais é mesmo o fator da localização. O Festival Carviçais constitui uma referência no leque de festivais da região e com isto, queremos dar continuidade a este processo, com qualidade dos intervenientes e com condições para que os festivaleiros se sintam à vontade e possam desfrutar do poder da [nossa] aldeia.


De que forma este evento se encaixa na restante programação de Carviçais?

A Junta de Freguesia de Carviçais assim como o Município de Torre de Moncorvo são os principais pilares da realização deste festival, não deixando que nada falte e ajudando assim a que este esteja dispon