A nova era dos festivais de música

04/07/2019

Nos últimos anos, a tendência dos festivais de música e dos seus promotores foi a de criar novas formas de motivar o seu público e conseguir diferenciar-se da concorrência. Existiram, no último ano, segundo o estudo da APORFEST – Associação Portuguesa Festivais Música, 311 festivais de música a ocorrer em Portugal de janeiro a dezembro (estes são, cada vez mais, um produto turístico e de fidelização de novas gerações de público e, por isso, todos querem estar envolvidos, nomeadamente os municípios) e, por isso, dar apenas música não é sinónimo de sucesso, importando criar pontos de atração e diferenciação daquilo que os pares e concorrentes estão a realizar.
 
A sustentabilidade é um desses pontos, a par da introdução de novas tecnologias, que está a alterar esta área e a incutir novos comportamentos no seu público e na sociedade. Hoje, os copos reutilizáveis/biodegradáveis são uma realidade (que permitem a redução de plástico), algo que começou a ser visto no nosso principal evento, o Talkfest – International Music Festivals Forum, em 2012, mas que hoje é algo estandardizado tanto do lado do promotor como das cervejeiras – vemos os mesmos em qualquer tipo de festival, independentemente da sua dimensão. Vemos o desaparecimento de palhinhas nos bares e zona de restauração e a introdução de material comestível ou biodegradável em substituição do material descartável. Assistimos, ainda, a comportamentos que envolvem mais trabalho e com intenção a longo prazo, como a produção de energia verde através de células foto-voltaicas (alimentadas a energia solar), compactadores de papel ou disponibilização de água potável (de forma eficiente com sensor, de modo a mitigar perdas e desperdício), para o qual o Festival Med é um exemplo, tendo ganho inclusive o prémio ibérico de contributo para a sustentabilidade nos últimos Iberian Festival Awards; assim como o Boom Festival, que é um exemplo deste tipo de comportamentos desde a sua primeira edição, em 1997.
 
Para esta maior recorrência muito contribuiu a existência de apoios governamentais, nos últimos três anos, através do Sê-lo Verde (com objetivo de permitir a valorização e promoção da vertente ambiental dos eventos, junto do público nacional e internacional, incentivando a adoção de critérios ambientais que contribuam para uma redução de impactos e promovam o uso eficiente de recursos materiais e energéticos) e a democratização da aceitação da necessidade de novos comportamentos sustentáveis em que os festivais como eventos de massas e facilmente aglutinadores de novas tendências deverão ser e dar um exemplo. De futuro os festivais tornar-se-ão menos dependentes de rede elétrica e com isso menos poluidores do ambiente também e serão claros educadores de bons comportamentos nesta área em virtude da necessidade de novas estratégias de combate ao desgaste do planeta Terra e das alterações climáticas.Embora estejamos num bom caminho e em Portugal os festivais sejam percursores desta indução de novos comportamentos, ainda estamos distantes daquilo que congéneres fazem na Europa do Norte e Centro e por isso há que replicar e aprender com o que é feito nesse contexto pois o público também hoje já está muito mais exigente. A sustentabilidade de um festival não está apenas no cariz ambiental, ecológico mas também na parte financeira e se estas se juntarem teremos qualidade no futuro garantida.
 
* Artigo e fotografia colocado na revista PME MAGAZINE (Jul 2019)

 

 

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