Artigo Científico: Repercussões para os eventos de massa durante pandemias globais

02/04/2020

Em situações extremas como é a que se está a viver na atualidade tanto em Portugal como nos outros países estão a ser cancelados eventos de massa nos mais diversos setores, desde festivais de música a eventos desportivos e corporativos.

 

Quais serão as verdadeiras repercussões? As decisões tidas de forma imediata poderão não ser as mais eficazes a longo prazo. Deverá avaliar-se individualmente devido ao facto dos eventos de massa não serem homogéneos e corresponderem a lotações, públicos e contextos únicos.

 

O artigo científico aqui analisado, despoletado pela Universidade de Oxford, decompõe em primeira instância a noção então de "evento de massa" como um "evento planeado ou espontâneo em que o número de pessoas presentes poderia prejudicar o planeamento e recursos de resposta da comunidade ou país que acolhe tal evento". O SNS afirma que este tipo de concentração de pessoas potencia o risco para a saúde pública, uma vez que a elevada concentração de pessoas num determinado espaço físico leva a que haja um maior contacto interpessoal entre pesssoas oriundas de diferentes regiões e países. Mas ficaram esquecidos outros locais de concentração mais recorrentes como: transportes, gasolineiras, zonas comerciais e restauração (num primeiro momento).

 

Associado a este tipo de eventos de massa, estão, normalmente, estruturas temporárias (e.g. restauração, sanitários, backstage, área VIP, alojamentos), que podem contribuir para um maior risco de doenças transmissíveis e, quando associadas a consumos de álcool ou outras substâncias psicoativas, propiciam comportamentos de risco. Devem então as suas restrições ou medidas ser incluídas nos normais processos de sociedade ou ser diferenciadas?

Créditos fotografia: Cleveland Scene

 

 

Embora exista pouca evidência em relação a toda a temática do COVID-19 no que se cinge aos eventos de massa, existe o potencial de extrapolar-se conclusões, advindo de outras doenças infecciosas agudas. Uma das principais preocupações destas reuniões de pessoas é o aumento do risco de transmissão de doenças contagiosas ou infecções como resultado de um grande número de pessoas em contacto próximo por longos períodos de tempo. As infecções respiratórias agudas parecem ser a doença infecciosa mais comum transmitida durante estas, particularmente no caso de eventos religiosos.

 

Conclusões retiradas deste artigo levam a perceber que continuam a ser recolhidos dados globais relativamente ao COVID-19, os quais devem ser ativamente analisados e consultados para serem tomadas decisões em tempo real. No entanto, até ao crescimento da base de conhecimento de tal vírus, as políticas de prevenção podem ser baseadas em outras, como das pandemias de gripe. As restrições aos eventos de massa são  importantes, e obedecer a estas principalmente mais perto do pico epidémico poderá ser mais eficaz do que as restrições aplicadas mais à frente, quando o contacto será eminente, mas não podem ser tomadas como referência sem esquecer todos os outros pontos de contacto em massa.

 

Como qualquer outro vírus, independentemente da sua gravidade, o COVID-19 eventualmente será mitigado se as pessoas se consciencializarem de que está nas ações de cada um parar o contágio. Adiar os eventos de massa não quer dizer necessariamente cancelar, mas tomar uma decisão consciente para a protecção de todos.

 

Certo é que o mundo mudou e a partir daqui as relações e a forma de nos comportarmos também e surgirá um novo item no planeamento a cada evento cultural.

 

 

Palavras-Chave: Coronavírus; Consciencialização; Eventos de Massa.

 

*Este e os mais recentes artigos científicos originais estão disponíveis aos associados na área reservada.

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