TALKFEST 2022: o resumo da 10ª edição


Passaram mais de 1200 pessoas pelo último Talkfest entre Main event, concertos e gala dos Iberian Festival Awards (esgotada), num momento de reencontro entre os profissionais do setor e que é cada vez mais internacional, pela presença de muitos oradores e delegados de Espanha, Brasil e Europa que originou um recorde de partilhas nas redes sociais nos dois dias da 10ª edição, ocorridas a 25 e 25 de março.

Um momento de networking mas onde se deixaram algumas ideias e conclusões importantes com os oradores presentes nas salas de discussão – Conferências, Workshops, Apresentações Científicas e Pitchstage:

  • Imagem e fotografia como pontos cada vez mais fulcrais para produção de um festival, não só para disponibilização de conteúdos assim como “alimento”, ponte e memórias para a edição seguinte com o público e parceiros. Digital e redes sociais como pontos importantes para a sua valorização;

  • Problema de falta de mão-de-obra qualificada para serviços técnicos de apoio a festivais, nomeadamente nos meses de verão deste ano, causada pelo desaparecimento de recursos humanos da pandemia que não estão a ser compensados com o regresso dos eventos. Da mesma forma as linhas de fornecedores tiveram de ser reformuladas e para existir o mesmo grau de confiança e eficiência vai levar tempo;

  • Deverão ser criadas soluções e compromisso com o governo (e novo Min. Cultura) para a remuneração e contratos de trabalho serem mais dignificados neste setor;

  • Criar uma igualdade, inclusão e acessibilidade cultural efetiva em festivais e não apenas por “marketing de causa” ou uma pressão mediática ou da sociedade. A % de mulheres nos cursos profissionais e superiores (e.g. produção e gestão eventos, gestão cultural) não se reflete ainda no mercado trabalho. Os festivais podem ser mais que um reflexo da sociedade e serem agentes de mudança, criar novos hábitos aproveitando aquilo que proporcionam ao público;

  • Previsão de aumento do nº festivais nos próximos anos, que vai aumentar a exigência célere da correta sustentabilidade;

  • Pedidos de patrocínio/mecenato deverão ser feitos a marcas com garantias de público e não o contrário;

  • O trabalho nos próximos anos deverá estar focado na formação e renovação do público nos festivais e como garantir que este considere pagar para ver cultura e entretenimento;

  • Na gestão da pandemia faltou ao Governo e DGS, em Portugal, ouvir o setor dos festivais e o entendimento do que é e como funciona a Cultura e a sua economia;

  • Colocar a tecnologia não apenas ao serviço do público, mas como ferramenta de gestão dos festivais. NFT como solução para novas rentabilidades que colmatarão perdas de receitas futuras;

  • A Guerra atual implica já negativamente nos festivais que cruzam culturas, tendo consequências a longo prazo na escolha de nacionalidades dos artistas;

  • A cultura tem de ser cada vez mais um valor acrescentado para todos, onde exista um pagamento mais justo ao artista (direitos) para o sustentar a tempo inteiro, algo apenas disponível para uma minoria em Portugal. Deverão ser encontradas novas formas de fazer com que o público se sinta disponível para pagar para aceder a todo o tipo de festivais e não apenas os mais mediáticos, tendo aqui os municípios um papel importante futuro para esse acesso não ter uma oferta gratuita como regra, mas sim como exceção.