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REPORTS 2016

 

Red Bull Music Academy Culture Clash

O RBMA Culture Clash, recebeu a sua versão inaugural em LIsboa. Um conceito retirado do espírito das ruas jamaicanas, e que foi aplicado pelos eventos da marca Red Bull desde 2010 em várias cidades como Nova Iorque, Londres ou Roterdão.

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No Coliseu de Lisboa estiveram quatro crews em disputa por um prémio (ganha quem conquistou mais pontos ao longo de 4 rondas com diferentes regras explicadas pelos hosts), algo que não é comum acontecer quando se fala de artistas consagrados - Club Atlas (com elementos da história dos Buraka Som Sistema, Carlão e Fred Pinto Ferreira); Matilha (comandada por Dj Ride e Jimmy P); Batida + Kmbas + O próprio Kota (com o espírito de Angola) e Moullinex Live Machine (com a ajuda de Da Chick, Marta Ren, Best Youth e Paulo Furtado). 

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Foi uma noite inesquecível, que só depois de acontecer se apercebe bem do que ali se passou e aconteceu (4 horas passaram num instante) - bandas em competição (positiva); interpretações diferentes e exclusivas; ligação clara e imediata ao público; convidados surpresa e um vencedor (Club Atlas) que vai defender o troféu numa 2ª edição, que se espera com mais público. Talvez seja esta a evolução da forma como vamos passar a querer e estar em festivais - presenciar algo único e irrepetível e que os presentes tenham clara intervenção e decisão. A partir daqui, elevou-se a fasquia e estar num festival de modo passivo a ver uma setlist (mais ou menos previsível) torna-se menos cativante.

Out Fest 

O encerramento do 10º aniversário do OutJazz, que habituou Lisboa (e zonas envolventes) a oferecer música gratuita nos seus espaços verdes, deu-se com a celebração de um festival, o Out Fest, ao longo de dois dias, no Parque Marechal Carmona, em Cascais.

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A mesma ideologia, a de poder presentear o público com "música negra", ligada ao jazz,funk, soul e eletrónica como estilos principais mas agora num formato que desse mais música (10 horas de música seguidas dividida por três palcos: Outjazz - novos talentos; Silent Garden - dj's para se ouvir sem amplificação e palco principal - por onde passaram os principais artistas, como Nicola Conte, Daddy G ou Moullinex).

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No meio de tantos festivais no mês de setembro, o público aderiu (apesar do conceito de evento pago ter sido estranho para muitos) notando-se duas fações: o público que se habituou a frequentar o Outjazz e tem uma forma de estar descontraída e onde a música é apenas mais um pretexto para se estar entre amigos e o público internacional hospedado em Cascais que viu no festival uma forma de se divertir e aceder a cultura na vertente música. O local permite que o festival chegue às famílias (nomeadamente aos novos pais) e que por isso permite a convivência num ambiente relaxado e do mesmo modo em regime intimista com os artistas, não existindo barreiras para se estar com estes.

 

O jardim, esse, ganhou mais vida com as diferentes soluções que foram também dadas em termos de bar e restauração.

Supernova

O Supernova decorreu no passado dia 17 de Setembro. A primeira novidade à vista de todos foi a mudança de nome. De Nova Música para Supernova, o festival foi de vento em popa, e não só de concertos foi feito como também de várias atividades práticas e restrospectiva. De consultas com Domingos Coimbra ou Sofá do Gin com Raquel Strada, o recinto atraiu bastante público desde cedo. Maioritariamente jovens circulavam pelo recinto, mas o Supernova também chamou público mais velho.

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Não só se fez de concertos, mas foram esses o ponto alto deste dia tão aguardado por muitos. Bosque, a banda jovem mostrou que também os ainda recém saídos da garagem sabem entreter. Os Pista vingaram o título pelo qual já deveria ser conhecidos: onde há Pista há festa garantida. Por fim, os Capitão Fausto provocaram enchete e proporcionaram um fim de noite exaltante e bastante enérgico. Os Capitão Fausto deram um concerto de luxo tanto para os mais novos como para os mais velhos, como sempre, e o público rejubilou.

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A Nova entrou em grande neste ano letivo e pede-se que estas festas continuem durante eternidades.  

Créditos Fotografias: Pedro Vergottini Puccini 

Lisb-On 

O Lisb-On, foi "plantado" em 2014, "sofreu" em 2015 e agora "floresceu" na mais recente edição, tornando como nossas as palavras da organização.

 

O festival marca a diferença no panorama dos festivais portugueses, nomeadamente nos que ocorrem em Lisboa. A passagem de dois para três dias para a 3ª edição e a retirada de alguns problemas de gestão originados pela introdução da tecnologia cashless foram as notas mais importantes, o resto foi um natural incremento de qualidade como o caso de concertos em plena sintonia entre público e artistas (destacando-se a enchente em Jungle e os loucos samples proporcionados por Herbert) que foram sempre intercalados com animação ao longo do recinto. Fora isso, no festival respira-se calmia, boa disposição a que muito ajuda um público maduro (com média a rondar os 35 anos), em família e bem parecido. A zona de restauração apresentou soluções interessantes e os bares não só de cerveja mas também de bebidas distintas foram suficientes para o público presente.

 

A ideia de fazer acontecer um festival eletrónico que por imposição de regras do local (Parque Eduardo VII) ou por gestão da produção ocorre a seguir ao almoço até perto da meia-noite traz um ambiente de descontração, convívio e de sorriso entre todos, contrariando o estigma de um estilo músical apenas para se desfrutar muito depois do por-do-sol. Para os mais enérgicos, existiram vários eventos associados, pelas noites dentro, em vários espaços de Lisboa a que a pulseira do festival dava acesso gratuito.

 

O lado social não foi esquecido e quem não quis gastar ou ser ressarcido de todo o valor presente na sua pulseira de acesso ao festival, doou automáticamente o mesmo para a Casa dos Animais de Lisboa.

 

O botão esteve realmente ON e queremos que volte a ligar para o próximo ano! 

Entremuralhas

O Entremuralhas teve a sua 7ª edição no mesmo sítio de sempre, o Castelo de Leiria no alto da cidade. O público esse já está também conhecedor do que é o festival e daquilo que ele promove, uma verdadeira ode ao estilo gótico que se traduz num acontecimento único no país e que conseguiu trazer em 2016, 10 bandas no seu cartaz em estreia absoluta em Portugal, provenientes de vários países europeus.

 

O recinto "cresceu" tendo por comparação os anos anteriores e com isso as atividades e as ocupações para o seu público. Além dos três palcos, do qual se destaca o Palco Igreja da Pena com concertos de tarde em formato intimista e sem barreiras entre público e artistas, foi possível percorrer também os vários espaços do Castelo, assim como participar na história quinhentista do Castelo e dos artistas emergentes que fizeram parte da Muralhartes. Além disso a área de expositores apresentou o material de bandas, merchandising do festival  e artesanato.

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Os artistas presentes na edição variaram entre o cariz eletrónico, folk, punk e seguindo sempre os tons e melancolia gótica que resultou numa combinação sempre eficaz com o público, mesmo que o silêncio dominasse e imperasse. Neste festival todos vivem o mesmo espírito, todos querem e experenciam a música que os promotores lhes dão ao longo de 3 dias, acreditando nas suas escolhas e convivendo em sincera harmonia. O encontro ficou marcado novamente para 2017!

FMM Sines

O FMM Sines de 2016 confirmou o estado de vitalidade que manteve nos últimos anos e edições, talvez com um assinalável incremento no número de público internacional.

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É um festival que consegue não só consegue conectar diferentes tipos de público na comunidade local, sendo por isso um festival que atinge familias de diferentes classes e que recebe ao longo de uma semana uma geração de público que mantém um gosto musical assente na exploração de raízes e tradições assim como vontade de estar próximo das atuações compostas por artistas ou colaborações genuínas e que deram verdadeiros espetáculos.

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Apenas uma parte dos concertos (no total foram 47) tinham entrada paga, mesmo esses tiveram um Castelo esgotado, repleto de festa e com direito a fogo-de-artifício final. Quem não conseguiu ou optou por não gastar o dinheiro numa entrada (e aplicar em mais cerveja, gastronomia ou comércio presente) não ficou fora da festa, uma vez que a produção disponibilizou sempre ecrãs nos palcos e pela parte histórica da cidade.

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De assinalar, por último, a vertente evolutiva do festival que possibilitou a contagem de público, em entradas pagas, através de torniquetes e o enfoque do município e seus comerciantes em criar soluções para melhor acolher e atender a quem à cidade de Sines se dirigiu e aproveitou para conciliar música, praia e outras experiências.

Musa Cascais 

Nos dias 30 de Junho, 1 e 2 de Julho junto à Praia de Carcavelos, voltou a acontecer aquele que é atualmente o único festival dedicado ao estilo Reggae em Portugal, o Musa Cascais.

 

O principal objetivo do Musa é consciencializar a juventude nas temáticas da sustentabilidade,  aquecimento global e alterações climáticas, renovando-se entre gerações, graças ao seu voluntariado.

Na sua 17ª edição, o festival contou com artistas de renome internacional como Alborosie, Tanya Stephens ou Dub Inc. a que se juntaram no cartaz artistas nacionais como SupaSquad ou Chapa Dux. Para além da música, a principal atração foi a praia que se localiza mesmo ao lado do festival, no recinto existiam também vários stands com artigos característicos do estilo reggae à venda e um mini skate park onde os mais corajosos e habilidosos podiam mostrar os seus dotes.

 

O parque de campismo no festival tinha boas condições onde se incluíam casas de banho (formato contentor) em vez das típicas portáteis de plástico. Em destaque, estava a possibilidade de ser alugados Tipis, Quibi’s e Yurt’s, infraestruturas estas que melhoram em muito o conforto e a experiência dos festivaleiros.

 

Algo positivo neste festival que vale a pena destacar é a segurança, estando em número superior ao que se costuma encontrar noutros festivais de idêntico tamanho. Quem entrasse no campismo, era sujeito a uma revista (incluindo-se a objetos de metal) o que potenciou  sentimento de segurança e bem-estar dos público. Por outro lado, as filas para entrada no 1º dia do festival foram um pouco demoradas, em virtude da verificação de bilhetes e acreditações.

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