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REPORTS

 

CISTERMÚSICA [01 Jul-06 Ago, Vários espaços - Alcobaça]

Um dos poucos festivais em Portugal que não interrompeu as suas edições nos anos de 2020 e 2021, conseguindo adaptar-se nesses anos o que fez talvez com que a edição de 2022 do Cistermúsica, onde se celebram a redonda 30ª edição seja de facto um marco e uma edição especial com mais de 40 pontos de programação, muitos deles esgotados. Com base em Alcobaça nomeadamente no aproveitamento dos vários espaços pertencentes e adjacentes ao Mosteiro de Alcobaça (ou não fosse essa a origem do nome do festival, a arquitetura Císter) mas também com incursões por várias cidades como Porto de Mós, Lisboa, Arouca ou Évora. 

Acompanhámos, a 16 de julho, um dos concertos e percebemos a evolução e cuidado do festival no tratamento do público desde a entrada ao seu posicionamento no espaço do concerto e o rigor depositado nos horários de forma a potenciar a experiência. Assistimos ao concerto do ensemble Ars Choralis Coeln, advindos da Alemanha, e entrámos numa viagem que apesar de presente em 2022 nos levou para 800 anos antes imaginando como foi possível pensar num espaço para tantos fins e com uma acústica plena que serve plenamente os fins culturais atualmente. Já para não falar de como aguentam os seus intérpretes a cantar durante 90 minutos, ou então toda a experiência deste concerto nos amplificou todos os sentidos. 

O festival denota hoje uma maior percentagem de público fiel que aceita as propostas e que percebe o cunho e pensamento administrado como base para cada ano - e que por isso renova a sua presença - mas também um público jovem que absorve num total silêncio grande parte dos concertos, algo que não vemos noutros locais e que dá por isso vida ao festival e uma perspetiva que para que este se renove e evolua facilmente a cada ano. 

Créditos: Ricardo Bramão / Marta Azevedo / Cistermúsica (foto de palco)

FESTIVAL MED [30 Jun-03 Jul, Centro Histórico - Loulé]

Acompanhámos e fizemos parte de mais uma edição do Festival Med. Um Festival que atingiu a sua maioridade, já lá vão 18 edições de um festival que se soube reinventar e hoje ser um dos principais no nosso panorama e que tem o condão de ter unido a sua cidade e captar público internacional. Um cartaz com oferta variada de artistas de 4 continentes (para atuações em mais de 10 palcos e atuações de rua) e saudades do formato regular fizeram com que  duas das suas noites (de 6ªfeira e sábado) ficassem esgotadas.

Se somarmos todas as atividades (concertos, cinema com música, open day) chegamos aos 50 concertos - destes Maro, Electric Jalaba e Mallu Magalhães foram receptores de maiores concentrações de público. A produção do festival potencia a experiência do festival criando um circuito ao seu público em que os concertos dos 4 principais palcos [Cerca, Matriz, Castelo e Chafariz] ficam em loop não se sobrepondo. Assim o público enquanto anda de palco em palco conhece todas as restantes atividades [Exposições, Espaço Kids, Area Restauração e Artesanato, Banhos Islâmicos] e é surpreendido por atuações artísticas itinerantes (música, dança e teatro). A ligação do festival ao Mediterrâneo e o mundo é a base, mas são cada vez mais as parcerias locais - com associações, empresas, grupos artísticos e espaços culturais - que permitiram o crescimento atual do festival e a sua aceitação transversal do seu público, nele vemos assim claramente no público gente dos "8 aos 80" anos. Um festival que tem também um acompanhamento mediático mais forte que faz com que o trabalho para a edição seguinte comece nos concertos de rádio em direto (pela Antena 1 e Antena 3) a quem não pôde estar presente.

Um festival que continua a dar primazia à sustentabilidade, onde o copo reutilizável (oferecido a todos os portadores de entradas) é apenas uma ponta do novelo que garantiu este ano uma conferência esgotada que moderámos e onde foi possível absorver a ideia do que a produção do festival (assente no executivo do Município de Loulé) pretende num curto prazo. Assim se o histórico indica que em 2014 se recolheu uma tonelada de resíduos, que em 2017 se poupou 70% do consumo de energia das tasquinhas/restaurantes através do uso dos painéis fotovoltaicos - o festival entrou em 2022 numa versão 2.0 da sustentabilidade onde todos farão parte do processo de equilíbrio e diminuição da pegada carbónica com o aproveitamento de materiais (resíduos) que são transformados em recursos e utilizados na edição seguinte e ao dispor da população ao longo do ano que medeia as edições do Med. 

Créditos: Ricardo Bramão / Festival Med (foto conferência)

ROCK IN RIO LISBOA [18-26 Junho, Parque da Bela  Vista - Lisboa]

O Rock in Rio (que, segundo dados oficiais, recebeu mais de 287 mil pessoas em 4 dias) sempre foi sinónimo de festa, de boa música e de qualidade. Mas este ano foi especial. Uma espécie de efeito pós pandémico em que tudo pareceu mais brilhante, mais vivo, mais urgente, mais saboroso. Mas a culpa não é só da pandemia, a organização esmerou-se em proporcionar uma experiência multissensorial a todo o público da Bela Vista, com uma programação vibrante em todo o recinto, em cada esquina, em cada rodar de pescoço uma surpresa, um ponto de interesse, algo inesperado.


As preocupações com a sustentabilidade (assumindo-se como a edição mais ecológica de sempre) foram mais evidentes este ano, como a criação de um sistema de abastecimento de água disponível para “refill” no recinto e que será aproveitado para sistema de rega do parque da Bela Vista ou a entrega de parte dos materiais para reutilização noutro festival de música e um palco que se predispôs a recuperar 100% da sua pegada carbónica. A organização incentivou o publico a gerir o seu lixo, colocando-o no local correto para facilitar o seu tratamento (havendo inclusive alguns colaboradores com caixotes de reciclagem nas costas a passear pelo recinto) e para além de fomentarem a reciclagem, houve um cuidado com o lixo orgânico, que foi aproveitado para compostagem. No continente Chef’s Stage foram também abordados os temos de desperdício alimentar e alimentação sustentável. Mais uma vez contaram com o parceiro Refood para minimizar o impacto do desperdício alimentar

A inclusão e facilidades no acesso também foram um dos pontos primordiais desta edição - a meta dos Objetivos 2030 da Unesco no horizonte - com serviços dedicados a pessoas surdas e cegas, introduzindo interpretes de língua gestual nos palcos, a presença de mapas táteis e audioguias (na roda por exemplo). Foram também criados novos pontos de mobilidade condicionada e facilitou-se o acesso a vários pontos do recinto, nomeadamente stands e atividades paralelas.


A organização apresentou um grande foco nos pormenores e não deixou nada ao acaso - aconselhamos uma visita à rede do Instagram e ver as suas publicações e reels para percebermos que se alcançou um outro nível na comunicação do eventos nestes meios. A sensação de que um dia não é suficiente para ver tudo aguça a vontade de regressar mais vezes e ser livre e feliz. Em 2024 há mais. Nós vamos!!

Créditos: Marta Azevedo / Ricardo Bramão / Rúben Jordão