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LXM Festival

A marca LX Music tem uma programação anual com vários eventos e academia ligada ao Techno já de vários anos. Com festas, matinés e eventos especiais esta entidade foi crescendo e especializando-se e por isso foi altura de arriscar e realizar um festival com duração de três dias. Por lá passaram 26 atuações de djs e coletivos nacionais e internacionais que lotaram o recinto definido (um dos pavilhões da FIL) em vários momentos das noites e madrugadas, destacando-se Boris Brejcha na primeira noite. Foram mais de 12 horas de música (por noite) para os ouvidos em regime non stop num público dividido entre alfacinhas, advindos de outras zonas do país e muito público internacional. O ambiente foi de natural festa numa organização que apostou em dar todas as comodidades ao público – muitos bares, zona de food court com diferentes opções e até testes de verificação de drogas em parceria com a Kosmicare. Um recinto preparado para 1000 pax em simultâneo que tem tudo para crescer em futuras edições.

 

Até lá ficam as festas da marca que tem a próxima marcada já para a passagem do ano!

Créditos: Texto e Fotografia - Ricardo Bramão

Super Bock em Stock

O Super Bock em Stock comporta-se e age como um festival de Inverno e sabe bem verificar a entrada do público nas várias salas fugindo do frio das ruas da principal artéria da capital para verem artistas consagrados mas a grande maioria desconhecidos, ou seja, à espera de serem surpreendidos.

 

Neste festival o público procura boa música, quer dançar e quer festa e interação com os artistas. Ao longo de dois dias viram-se concertos e salas esgotadas e filas à porta, como para Balthazar no Cinema São Jorge, Slow J no Coliseu e Josh Rouse no Tivoli. Um festival que não tem agora apenas os sons Indie mas sim uma vertente hip-hop e suas influências já muito identificada no cartaz que faz com que existam dois tipos de público no festivals: os melómanos (mais individualistas ou a pares) e os que seguem os sons urbanos (em grupos) mas que partilham a mesma vontade de “viver” este festival.

 

Venham mais edições deste evento onde se descobrem os artistas que vão atuar nos anos seguintes pelos grandes palcos nacionais.

Créditos: Texto e Fotografia - Ricardo Bramão

EA Live

A edição do EA LIVE Lisboa 2019 decorreu no passado sábado dia 12 de outubro no Campo Pequeno. Foi um evento em torno do conceito “fastfest” o que tornou tudo mais fluido e épico. Sete bandas com atuações de 40 minutos. Vários DJ set de 20 minutos, enquanto decorrem as mudanças de palco. Sem dúvida um conceito organizado e confortável para o publico que aguardava ansioso por cada banda.

Os bilhetes trocados por pulseira ofereciam total liberdade para o público circular e poder escolher as suas atuações favoritas e também poderem circular entre bancadas e plateia em pé.

De banda em banda, a saltitar de 40 em 40 minutos, foram assim as intensas 8 horas de boa música e grandes momentos, momentos desde o Joaquim Albergaria dos Paus a dançar de um lado ao outro do palco de toalha na mão, a intensa despedida da banda Diabo na Cruz ao público emocionado ao som de Capitão Fausto.

O EA live contou com alguns convidados especiais como Gisela João e NBC a dar voz as batidas e melodias bem nacionais trazidas pelo Sterossauro e a banda “Bairro da Ponte”. Um conceito que vem para ficar, esperamos!

Créditos: Texto e Fotografia - Diogo Costa

Festival Iminente

Definição de urbano futurista: Iminente. Foram 4 dias em que o urbano se cruzou com a natureza, num reaproveitamento e respeito pelo espaço e em que a música até fica para segundo ou terceiro plano. Em primeiro surge a particularidade do local e ambiente criado pela organização, em segundo a arte urbana e só depois a música, diversificada, orgânica e perfeitamente enquadrada. 

 

O Iminente é um festival com olhar para o futuro, em que a experiência é rainha. E a experiência é boa, desde a qualidade e frequência dos shuttles até ao impacto da chegada ao recinto perfeito para acolher um festival assim. O preço das bebidas não dá para grandes perdições mas o público entretém-se com o muito que há para ver, sentir e ouvir. 

 

É um festival para público mais maduro e que educa as novas gerações levando-as a absorver cultura e outras formas de arte que não as expressas pela música, de forma orgânica, aqui foi possível ouvir dissertações poéticas, debates, battles e live painting. À partida o recinto poderia parecer curto para receber mais de 5000 pessoas por dia mas neste Iminente tudo é pensado em altura (todo o espaço do antigo Restaurante panorâmico, 5 pisos, são corretamente preenchidos naquele edifício que pareceu estar em permanente mudança e que ganhava nova vida com o cair da noite) e não no convencional dos restantes festivais. Aguardamos pela próxima edição, seja em Lisboa ou algures pelo mundo.

Créditos: Texto e Fotografia - Marta Azevedo

Lisb-On

O festival com mais gente divertida (e gira) por metro quadrado. O Lisb-On já cumpriu seis edições e o jardim encontra-se já numa fase de verdadeira maturação. O festival apresentou-se em 2019 com mais palcos (são agora três: Principal, Carlsberg e o Tree House – por onde os artistas do line-up eram anunciados na comunicação prévia do festival), mais sustentável e com mais serviços ao dispor dos público (e.g. uma zona de casas de banho cuidada, zona de crianças com atividades permanente, stands de parceiros e estruturas com materiais ecológicos, copos reutilizáveis e a quase integral substituição de papel/cartão pelos meios digitais no recinto).

 

Ao entrar no recinto vemos que ele cresceu, tem espaços verdes mais aproveitados e obriga agora a que o público esteja ele a conversar no bar, no food court ou nos stands com ativações a estar sempre virado para o palco principal. É então um jardim podado que cresce a olhos vistos no recinto mas que se multiplica com várias ações paralelas em que a pulseira deu acesso a descontos ou entradas gratuitas em restaurantes, exposições, eventos e afterparties.

 

Quanto às atuações, foram aquelas ao por do sol que tiveram mais impacto e público, como as do Masters at Work, Octave One e da britânica Róisín Murphy com uma atuação em formato banda. Está marcada nova edição para 2021 e é bom ver este produto português a ser partilhado para os nossos e a muito público internacional também.

Créditos: Texto e Fotografia - Ricardo Bramão

Extramuralhas

“Durante 3 dias ficámos mais ricos”. Leiria assumiu-se, durante 3 dias como cidade gótica apresentando-nos a 10ª edição do festival Extramuralhas. Pelo segundo ano consecutivo deixámos o castelo e voltámos a abraçar a baixa da cidade e, exclusivamente, o Mosteiro da Batalha onde se deu início ao festival com o concerto superlotado, emotivo e memorável dos italianos Ashram.  Mais tarde abrimos portas ao Teatro José Lúcio da Silva para assistir à estreia nacional dos franceses Skáld que nos proporcionaram uma autêntica viagem ao universo medieval escandinavo, passando até ao Stereogun onde o post-punk arrebatador dos canadianos Actors colocou toda a gente ao rubro.

 

Já o segundo dia teve vários highlights como o caso do concerto de fim da carreira dos belgas Siglo XX e os ingleses Test. Dept que nos concederam uma sonoridade Industrial do mais puro possível. Seguimos em frente para o Jardim Luís de Camões onde pudemos contemplar uma cidade em total ascensão gótica seguindo o mote do festival à regra. Neste espaço atuou Henric de la Cour e também Light Asylum que sem dúvida foi um dos pontos altos da noite. No Stereogun estrearam-se os italianos The Light Asylum.

 

Como diz o ditado popular que o que é bom acaba depressa, chegamos rapidamente ao último dia do festival que se iniciou com os franceses Meta Meat em pleno Museu de Leiria. O destaque maior do Extramuralhas aconteceu com os californianos She Wants Revenge que sem dúvida proporcionaram o concerto mais marcante e aplaudido desta última edição de Extramuralhas. Chegando ao Jardim, os Black Nail Cabaret levaram-nos numa viagem synth-pop e os suecos Wulfband agitaram os nossos esqueletos com a sua sonoridade EBM (Electronic Body Music).

 

Chegou ao fim mais uma edição de Extramuralhas que contou com 14 bandas internacionais. Obrigada à Fade-In que nos proporcionou mais uma edição incrível e que, esperançosamente, irá proporcionar muitas mais.

Créditos: Texto - Filipa Gaspar | Fotografia: Diogo Costa

Vodafone Paredes de Coura

Vodafone Paredes de Coura, o festival português nascido em 1993, voltou a reluzir entre 14 e 17 de Agosto de 2019. Prosperando sem interrupções há 27 anos, o festival ocupa a Praia Fluvial do Taboão em Paredes de Coura. É singular não só pela sua beleza, mas também pela qualidade, cuidado e fieldade às suas origens, que são a música alternativa. Não se pode falar de Paredes de Coura sem referir a sua formosura. Os espaços verdes intersetados pelo rio Coura e a sua aparência bucólica tornam obrigatório o arrebatamento à primeira vista e o encanto continua até ao recinto composto pelo Palco Vodafone.Fm e o Palco Principal que é um autêntico anfiteatro moldado pela natureza. A vila, alegre com decorações festivas recebe de mãos abertas os visitantes uma semana antes para “O festival sobe à vila” por onde subiram artistas como “Filipe Sambado & os Acompanhantes de Luxo”, “The Parkisons”, “Blasfémia” ou “Ângela Polícia”. E ao descer avista-se o campismo onde se erguem tendas sobre a relva, enquanto outros campistas já instalados aproveitam a tarde na praia para dar uns mergulhos, descontrair nas toalhas com os amigos ou aproveitar os concertos, workshops de yoga ou debates no palco “Jazz na Relva”. A Restauração e casas de banho estão espalhadas entre o campismo, o recinto e a vila e apesar de todas as escolhas é difícil não surgirem filas.  Ao final da tarde os concertos começam.

 

 Dia 14 foi o dia de abertura do recinto, e que bom começo. Se Julia Jacklin e a sua doce voz tornaram a tarde num sonho indie/folk e Boogarins num sonho psicadélico, Parcels imergiram o palco principal numa pista de dança. Mais tarde, The National, melancólicos e maturos e os KoKoKo!, que cortaram a neblina com ondas de calor e padrões energéticos. No segundo dia os bons momentos não faltaram com nomes como Boy Pablo, Car Sear Headrest, Acid Arab, Capitão Fausto, mas quem mais brilhou foram os lendários New Order, visionários e enigmáticos comoveram Paredes de Coura homenageando os eternos Joy Division. No dia 16, o rock em velocidade dos Black Midi, e a beleza sonora de Connan Mockasin sobressaiu, sem esquecer Father John Misty, Spiritualized ou Deerhunter. Último e único, dia 17 trouxe-nos Freddie Gibbs & Madlib, Sensible Soccers, Flohio, Kamaal Williams, Suede, Mitski e a sua supreendente sinceridade em palco e o concerto emocionante de Patti Smith, sábia ardente e cheia de palavras que sabem a liberdade.

 

Sem dúvida que a 27º edição do Festival Paredes de Coura trouxe momentos inigualáveis associados ao celebrar da vida, da natureza e da música, que além de belos, vão deixar saudades.

Créditos: Texto e Fotografia - Cláudia Fernandes

Bons Sons

"Bons Sons sempre em Bons Tons" | A décima edição do Festival Bons Sons presenteou-nos, uma vez mais, com uma programação eclética e desafiante, composta por artistas conceituados e novas esperanças do panorama musical português, proporcionando aos visitantes da aldeia de Cem Soldos uma experiência artística inesquecível. Esta edição fica também marcada pelos duetos mais ou menos improváveis entre os artistas Joana Espadinha e Benjamin, Lodo e Peixe, Noiserv e First Breath After Coma, Glokenwise e JP Simões, Sensible Soccers e Tiago Sami Pereira ou Sopa de Pedra e Joana Gama. Outra presença que não estaria prevista mas que acabou por proporcionar o momento mais emotivo do concerto dos Diabo na Cruz foi a de Carlos Guerreiro, um dos mentores dos Gaiteiros de Lisboa.

 

O palco com curadoria da Música Portuguesa a Gostar Dela Própria, apesar de ser um dos palcos mais pequenos, acaba por ser aquele que é mais representativo do espírito do festival, onde a música tradicional Portuguesa tem maior destaque. “Bons Sons X, uma Aldeia em Manifesto” é o nome da publicação comemorativa apresentada ao público no primeiro dia de festival por Luís Ferreira, diretor artístico do festival. Através da parceria com a Materiais Diversos, o auditório da aldeia foi espaço de aprendizagem de diferentes danças e ritmos. É possível conhecer “Cem Soldos, por detrás do Bons Sons”, onde Ana Bento e Bruno Pinto guiam os visitantes pelas ruas da Aldeia, num passeio pela história da Aldeia, o que permite perceber que a noção de comunidade e espírito de partilha cultural tem origem nas gerações que antecederam à que, agora, organiza este festival. Quem faz a visita não esquece e recomenda Ao longo dos dias de festival, houve tempo para mais de 50 espetáculos, dança, debates com a curadoria da plataforma Fumaça, conversas e muito convívio. A imagem que fica é a de que a cada esquina hà um encontro, partilha de saberes e de música. Muita música portuguesa.

 

Créditos: Texto - Tiago Luís | Fotografia - João Azevedo