Jardim sonoro, jardineiros e as várias espécies que habitam no Lisb-On. Entrevista: José Diogo Vinag

Com cinco edições apenas se construiu um festival de referência para o nosso mercado e para o mercado internacional levando-nos a pensar se este festival estivesse num país com folga económica o que poderia acontecer ao seu conceito. Através da sua comunicação, critério musical e ambiente proporcionado conseguiu criar e fidelizar público junto de si numa rede de seguidores e parceiros que crescem a cada ano. Falámos com o responsável de comunicação do Lisb-On, José Diogo Vinagre, que irá ver finalmente regado o seu jardim ao longo de três dias, de 31/agosto a 2/setembro por mais de 30 artistas ou jardineiros!

APORFEST: É já uma mão cheia de edições em que Lisboa fica On, a 3ª edição com 3 dias de duração. É uma aposta para ficar? Que vantagens estão inerentes na este formato?

José Diogo Vinagre: Rapidamente ao fim de poucas edições foi entendido que a passagem de um formato de dois para três dias era natural - algo que acontece desde 2016. Ao termos um protocolo com o Município de Lisboa, em que somos responsáveis por criar uma forte programação no festival e pela cidade no fim-de-semana foi natural adicionar assim o domingo que é o dia da família. Temos o jardim que se comporta como um jardim sonoro que tem um dia específico para unir a família - nestes dia as portas fecham inclusive mais cedo, temos mais artistas neste dia e está-se a ir ao encontro do que pretendemos comunicar que este é também um festival diurno. Por outro lado em termos de produção adicionar mais um dia mitiga alguns dos custos fixos (e.g. aluguer estruturas - som, contentores; licenças) e potencia-se a venda de bilhetes ajudando a amortizar o investimento.


Que pontos destacam da edição de 2018 em termos de programação?

Temos um cartaz diversificado com 30 artistas e com a novidade de todos os palcos estarem em funcionamento logo desde o primeiro dia. O Lisb-On é cada vez mais um festival que se diversifica não esquecendo a origem que é a eletrónica mas indo ao encontro de sonoridades pares como Bossa Nova, Jazz, Funk, House e Techno. Os cabeças-de-cartaz foram escolhidos a pensar nisso: Todd Terje e Michael Mayer no primeiro dia; St. Germain (ao vivo), Maceo Plex (com um set especial propositado para os festival de 5 horas, isto poque depois do nosso convite o artista gostou do nosso conceito e prometeu-nos isto só para o nosso "jardim" o que nos deixa muito curiosos de como vai correr e que tipo de sonoridade irá apresentar) no dia 1 de setembro e no último dia, mais familiar, teremos como "jardineiros" principais Mr. Fingers aka Larry Heard (guru da míusica) e Kerry Chandler (que já esteve no festival mas não a fechar mas que representa a sonoridade do Lisb-On). Queremos que o festival viva por mais 10, 15, 20 anos e por isso queremos contar uma história que ainda teve os seus primeiros capítulos e que precisa de ser entendida por todos. No ano passado foi a planta, este ano o lixo e espécies que frequentam o "jardim" em que cada artista cabeça-de-cartaz está caracterizado pela sua que o define (ver vídeo abaixo).


Continuam a apostar em parcerias que prolonguem o vosso festival para fora do recinto no Parque Eduardo VII?

O programa de associados do festival começou, na primeira edição, com 10 atividades e este ano teremos 30/35 atividades - a mancha pela cidade de Lisboa está a aumentar. Procuramos expandir o Lisb-on não só no recinto mas alargar para outros horários e para uma semana que põe viva a cidade com parcerias, descontos, atividades culturais, refeições ou discotecas. Procuramos, para 2018, potenciar a qualidade no recinto e crescer com a cidade e parceiros