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Análise de Artigo Científico: Crenças e Comportamentos dos Festivaleiros em Relação a Práticas Sustentáveis nos Festivais de Música

Com a crescente consciencialização para a sustentabilidade, especialmente entre as gerações mais jovens, cresce também a necessidade de compreender melhor o impacto destas práticas. Os festivais de música, muitas vezes localizados na natureza ou próximo dela, apresentam riscos diretos para o ambiente, como a larga produção de resíduos e emissões de carbono através do consumo de energia e de transportes.

O artigo científico que visamos analisar, tem por objetivo compreender o impacto das medidas tomadas pelos festivais, principalmente na Alemanha e na Holanda, países com forte predominância desta tipologia de eventos, onde são também dispostos dados relevantes acerca dos festivaleiros e o seu comportamento relativamente à sustentabilidade.


De acordo com o artigo científico da autoria de Noah Trautz, os festivaleiros demonstram uma preocupação generalizada com o ambiente e práticas sustentáveis que se refletem no seu comportamento. Além disso, um festival de música emite, em média 500 toneladas de dióxido de carbono, resultando em cerca de 25kg de emissões por festivaleiro.

Sabemos que existem vários festivais nacionais e internacionais com práticas sustentáveis – por exemplo: todos os festivais em Portugal usam já copos reutilizáveis. Estas práticas de sustentabilidade advêm, principalmente, da consciencialização e preocupação do público-alvo com as alterações climáticas – tema que preocupa a maioria dos jovens, como podemos verificar no Annual Report de 2023, da APORFEST.

Um estudo realizado pelo projeto ESTGOH Sustentável, revela que 82% dos frequentadores de festivais consideram importante ou muito importante que um festival seja ambientalmente sustentável, e 33% consideram esse critério, ao escolher ir a um festival. O Boom Festival é um ótimo exemplo nacional, que apesar da sua dimensão é considerado um dos mais sustentáveis da Europa (prémio atribuído pelos European Festival Awards) e tem envolvimento em vários projetos ligados à eco-construção, água, energia e transportes públicos.


O estudo de Trautz aponta várias discrepâncias entre as crenças e consciencialização dos festivaleiros e as suas ações no que toca à escolha de transporte, alojamento, alimentação e outros fatores. Se olharmos, por exemplo, para a questão da escolha de transporte para o festival, os fatores de preço, conveniência, conforto e rapidez são considerados mais importantes do que o factor sustentabilidade. Esta escolha também se prende pelo facto de os transportes públicos ou carpooling estarem constritos a certos horários que limitam a escolha das pessoas. Ainda assim, há vários festivais que colaboram com empresas de transportes coletivos, o que ajuda a diminuir a pegada ecológica do festival (exemplos: parceria de festivais como o NOS Alive e Rock in Rio com a CP). Em relação ao consumo e gestão de resíduos, o limite aos plásticos de uso único (aliado à recente legislação na Europa) é uma prática que diminui significativamente a quantidade de resíduos. Para além disso, a disponibilização de contentores para reciclagem, opções alimentares vegetarianas/vegan e a comunicação junto dos festivaleiros são também importantes para um festival mais verde.

Quanto à eficiência energética, as opções alternativas aos combustíveis fósseis, na maioria das vezes, apresentam um aumento muito significativo do custo de produção do festival, pelo que ainda não são muito utilizadas.


Os resultados do estudo conduzido por Trautz revelam que existe uma consciencialização generalizada e uma consideração por parte dos festivaleiros, que pretendem tomar ações com vista na sustentabilidade (própria e dos festivais a que vão), tendo especial atenção em apoiar as práticas sustentáveis dos festivais, o que eventualmente levará a uma menor pegada ecológica. No entanto, em muitos aspetos, o sentimento geral era neutro, e os festivaleiros demonstram maior preocupação com outros fatores como o preço e conveniência.


Um dos pontos mais relevantes neste estudo advém do facto de as práticas sustentáveis terem um grande impacto no comportamento dos festivaleiros, que na sua maioria, estão dispostos a demonstrar apoio e participar ativamente nas atividades propostas pelo festival. Este sentimento aumenta se incentivados pelo festival com ofertas ou gamificação de atividades como a reciclagem, retorno de copos (por exemplo com troca por Token ou devolução do valor do copo), entre outras. A disponibilidade de pontos de água gratuitos também foi considerada como muito importante, principalmente no que toca a festivais de verão, o que diminui a compra de garrafas de água de plástico.

Considerando a emergência climática que vivemos e constantes tentativas por parte da União Europeia de diminuir estas consequências, com a introdução de novas leis (como a recente proibição de microplásticos), será que os festivais conseguirão acompanhar a legislação e reduzir (mesmo) o seu impacto ambiental?


Este artigo científico, na sua versão completa, está disponível na área reservada aos associados (de todas as modalidades), para consulta.


Fotos: Boom Festival


Bibliografia:

APORFEST, Annual Report 2023, disponível na área de associado;

APORFEST, Perfil do Festivaleiro, 2023, disponível na área de associado;

Trautz, N., 2023, "Attendees beliefs and behavior in relation to sustainable practices at music festivals in Germany and The Netherlands", disponível na área de associado.

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