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Análise de artigo científico: Tendências nas plataformas de streaming Spotify e Youtube e como podem afetar os festivais

“Exploring Trends in Music Platforms: A Comparative Analysis of Key Factors for Trending Songs on Spotify and YouTube", de Anna Charchyan, é um artigo científico que examina os fatores que influenciam a popularidade das músicas nestas duas principais plataformas de streaming.

O objetivo deste estudo é, maioritariamente, o de identificar os principais aspetos que influenciam a popularidade das músicas e analisar o impacto dos dados de streaming nas tendências da indústria da música e na tomada de decisões por parte do público. Algo que influencia as escolhas dos promotores posteriormente na programação dos festivais, nomeadamente os de cariz mainstream. 

Este baseia-se na análise extensiva de dados e em técnicas de aprendizagem automática, que possibilita a previsão de padrões de consumo existentes no futuro. Isto poderá, por exemplo, ajudar ao quebra-cabeças de programadores de eventos e festivais, quando têm que antever com 6, 9,12, 18 ou 24 meses de antecedência aquilo que o seu público quer ouvir ou aquilo que vai entusiasmar o mesmo assim como mitigar custos na contratação com essa antecedência.


Fotos: Hugo Lima e Mariana Silva, Primavera Sound Porto

 

Desde o aparecimento das plataformas de streaming como o Spotify (ano de 2008), Youtube (ano de 2005) com planos gratuitos e pagos, depois do início da distribuição digital, no final dos anos 90, que o consumo digital de música tem crescido significativamente, e é hoje a maior fonte de rendimento para os artistas (para além dos espetáculos ao vivo) – mas onde são poucos os que conseguem subsistir tendo apenas por base esta receita. Em 2024, o YouTube regista cerca de 2.4 biliões de utilizadores ativos (janeiro 2024), enquanto que o Spotify tem mais de 615 milhões de utilizadores, dos quais 239 milhões são subscritores de serviços pagos (junho 2024). Por este motivo, sendo estas as plataformas de streaming mais utilizadas atualmente, desempenham um papel significativo na formação das tendências musicais e na determinação de quais músicas e artistas se tornam populares. Na área do streaming, o Spotify detém cerca de 31% do mercado global, seguindo-se a Apple Music (15%), Amazon Music (13%) e o YouTube (8%, tendo em conta apenas o YouTube Music e sabendo que existe um número elevado de utilizadores que usa a plataforma tendo em conta vários tipos de media).

Para uma análise compreensiva de dados, foi usada a plataforma de aprendizagem automática Kaggle, que recolheu informações das músicas em cada plataforma de acordo com vários fatores como a popularidade (definida por cada plataforma, com recurso a algoritmos), quão “dançável” é, nível de energia, tonalidade, volume (em decibéis), modo (intervalos musicais, na escala maior ou menor), letra, acústica, instrumentalidade, música ao vivo, valência e ritmo.

Em termos de popularidade, os artistas mais populares no Spotify foram, entre outros, Drake, Taylor Swift, Calvin Harris, Rihanna, Coldplay, Ed Sheeran, podendo-se verificar uma predominância dos géneros Pop, Latino, EDM, Rap e R&B que influenciam as tendências na plataforma. Estes dados podem ser vitais para produtores e discográficas, para perceber os géneros e tipologia de músicas que mais são ouvidos à escala global. Para além disso, também os promotores de festivais de música beneficiam desta análise, para poderem adaptar os seus eventos de acordo com as tendências – também no nosso país vamos verificando a transformação de festivais perante as tendências que o público escuta – e.g. Sudoeste (já foi rock, já foi edm e hoje mais hip-hop e urbano), Sumol Summer Fest (já foi reggae e hoje é mais urbano).

Olhando para o Top 50 em Portugal, podemos verificar uma predominância em artistas lusófonos, em géneros como funk brasileiro, rap, pop e r&b. Com o crescimento do uso da plataforma Tik Tok, e analisando as músicas presentes no top 50, podemos depreender que a maioria ganhou visibilidade nesta plataforma – estendendo-se para os hábitos de consumo dos portugueses (e também a nível global). Já no YouTube, os vídeos da produtora VEVO são os mais populares, devido ao facto de serem vastos e coincidirem com vários lançamentos – este fator mantém o público atento e aumenta as visualizações. A estratégia de lançamento de um elevado número de conteúdo mostra uma grande eficácia no que toca a manter a lealdade dos seguidores/público.

Ao longo dos anos, foi-se verificando uma alteração na perceção e características preferenciais nas músicas mais ouvidas: desde 2016, existe uma preferência para músicas mais “dançáveis”, um aumento no ritmo, e aumento em músicas com valências positivas/felizes. A comparação entre estas duas plataformas, no entanto, deve ter em conta o facto de serem diferentes no seu design e funcionalidades: enquanto que o Spotify é apenas uma plataforma de streaming musical, o YouTube tem uma forte componente visual e é utilizado para outros tipos de media para além da música. O aparecimento do YouTube Music, criado para descontinuação do Google Play Music, e inserido dentro do próprio YouTube, aliado ao vasto conteúdo da plataforma, dá a possibilidade aos utilizadores de aceder a vídeos e performances ao vivo, enquanto recebem sugestões baseadas no algoritmo Google.

Este estudo fornece assim uma compreensão abrangente dos fatores que influenciam a popularidade das músicas no Spotify e no YouTube, oferecendo informações valiosas para artistas, produtores, discográficas, programadores e promotores que possibilita que alinhem a sua estratégia de marketing tendo em conta as preferências atuais do público e adaptando-se às constantes mudanças na indústria da música na era digital.

 

Bibliografia:

Charchyan, A., 2024, Exploring Trends in Music Platforms: A Comparative Analysis of Key Factors for Trending Songs on Spotify and YouTube

 

 

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