Artes à Rua e a multiplicidade cultural do município de Évora. Entrevista: Luís Garcia (programador

O Festival Artes à Rua é o festival de arte pública, organizado pela Câmara Municipal de Évora, e que teve a última edição de 13 de Julho a 5 de Setembro de 2019. Este consiste-se na programação de atividades culturais das diversas áreas artísticas e na abertura de uma chamada para novas criações dirigida a criadores e agentes culturais do concelho. Totalizou a apresentação de 157 espetáculos, mais de 50 novas criações das áreas artísticas da Música, Teatro, Dança, Performance, Artes Circenses, Cinema, Vídeo Arte, Fotografia, Escultura, Pintura e Literatura. Estivemos à conversa com Luís Garcia, programador cultural do município de Évora.

APORFEST: Na atualidade o Município de Évora é um dos que mais tem trabalhado na fomentação de uma programação cultural anual em Portugal. Este é um trabalho que leva quanto tempo?

Luís Garcia: É um trabalho transversal, em concreto o "Artes à Rua" vai já para a sua 3ªedição sendo criado com o intuito de retomar um festival chamado Viva à Rua que terminou há quase dez anos (em 2001). Quisemos retomar isso, mas com características inovadoras, uma “chamada para artistas”, onde se desafia criadores e públicos a relacionarem-se entre si no espaço de todos - a Rua. Tentamos ter sempre um trabalho continuo e elementos diferenciadores. Portanto este trabalho mais artístico, por assim dizer, já ocorre há bastante tempo e queremos fazê-lo de forma sustentada.


Esta programação serve então um propósito anual e não apenas numa chamada "época alta", correto?

Sim, como disse anteriormente o Artes à Rua é um trabalho contínuo, que ocupa grande parte do ano civil. A tal “chamada para artistas” ocorre em fevereiro, o que alimenta depois a atividade de criação ao longo do ano, até setembro. Temos também toda a restante programação paralela organizada no Teatro Garcia de Resende e não só, ou seja, podemos inserir atividades noutros pontos e eventos da cidade.


Esta atividade incessante será para manter nos próximos anos? Qual a estratégia?

Pretendemos que a componente cultural do município esteja presente para oferta aos seus visitantes e moradores durante bastante tempo. Estamos a candidatar-nos a Capital Europeia da Cultura em 2027 e por isso tudo se projeta muito para além dessa data, pois a candidatura parte do pressuposto de uma continuidade. Évora assume-se como centro da cultura contemporânea, e também como centro de exportação de objetos artísticos.


Como é feito esse trabalho de angariação de público junto da comunidade e a nível externo?

O município apresenta programação ao longo de todo o ano, e é parceiro de outros festivais em Évora. A estratégia de captação do Artes à Rua por exemplo acaba precisamente por trazer um gr