Novas soluções no âmbito do planeamento estratégico de festivais e eventos - o apogeu do online

O isolamento social e o cumprimento do mandamento “fique em casa” resultaram no multiplicar de iniciativas online, tendência que se "espalhava" em outros países bem antes de se perceber este novo estado atual que se vive em Portugal e pelo mundo fora. São tantas ações que tem sido difícil acompanhar o agendamento de eventos de música, comédia, teatro, exposições, gastronomia, ginástica ou educação.


Atualmente a facilidade de acesso à internet permite que transmissões online sejam realizadas de qualquer lugar, gerando conteúdo para muitas pessoas, sem a necessidade de um espaço físico que as acomode. Surgem todos os dias novas formas e medidas de chegar ao maior número possível de público. Existem já apps mobile e websites que reúnem centenas de eventos em live streaming. Pelas redes sociais o número de espetáculos a que hoje é possível assistir através do Instagram, Facebook ou Twitter aumentou consideravelmente nos últimos dias (apesar de já ser algo bastante utilizado, pelo menos desde que é possível fazer os "diretos" nestas mesmas redes) sendo que algumas das áreas têm crescido segundo este novo modelo de chegar ao público que está em "casa"


Falta apenas responder à questão: Como monetizar esta nova forma de conteúdo? E assim fazer com que a ligação entre artista, público e promotor tenham um novo equilíbrio de contrapartida que permita dar a esta nova forma de comunicação uma sustentabilidade para todos.

Créditos fotografia: Getloaded

Os eventos virtuais podem ainda soar um pouco "futuristas", mas acontecem desde os anos 90 nos primórdios das webcams, independentemente se apenas assistissem duas ou mais pessoas. O TikTok por exemplo tornou-se completamente viral para esta nova geração, onde tanto indivíduos anónimos como celebridades se divertem e mostram ao mundo como se "divertir" sem sair de casa. Porque não fazer isto em larga escala? Inclusive algumas das maiores conferências do mundo são parcialmente ou completamente digitais, e não só os eventos de entretenimento. Mover este e outros tipos de eventos pode reduzir custos e pegadas de carbono no planeta, assim como tornar os mesmos mais acessíveis a um público mais amplo. Não estamos também na era da sustentabilidade?


Dados reais retirados de um artigo do Hootsuite indicam que em 2018 o Livestream para o Youtube do festival Coachella levou a tour "Homecoming" da Beyoncé a mais de 41 milhões de pessoas em mais de 232 países, em vez de apenas as centenas de pessoas que assistiram ao vivo. Isto quer dizer que mesmo que os eventos não passem completamente para o digital podem ainda assim "lucrar" com a sua presença online, e mesmo obter receita, pois alguns destes live streaming são pagos e outros não.


Por cá surgem iniciativas como o "Festival Eu Fico em Casa" que ocorreu entre 17 a 22 de Março, onde artistas, editoras e agências se reuniram num movimento cultural inédito em Portugal onde ocorreram uma série de quase 80 concertos de curta duração — não mais do que 20 a 30 minutos cada um — de alguns dos maiores nomes da música portuguesa, que apesar de ficarem em casa (ou nos seus estúdios) deram música à distância através do perfil de Instagram de cada um.