ENTREVISTA - Os 10 anos de Capote Fest, com Rita Piteira (diretora do festival)
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Nos dias 8 e 9 de maio, volta, o Capote Fest, a ocupar a SHE - Sociedade Harmonia Eborense (dia 8) e a SOIR - Joaquim António d’Aguiar (dia 9), em Évora, "com um cartaz que junta gerações, geografias e sonoridades que vão do rock ao thrash, com desvios pelo folk, punk, jazz, noise e pop, sempre com o espírito livre e desrotulado que define a Capote." Serão 9 nomes que tomam o pulso e por isso falámos com Rita Piteira, diretora do festival.


1. O Capote Fest faz 10 anos e vai para a sua 10ª edição. Como tem sido a vossa evolução?
Tem sido um percurso de crescimento sustentado, sempre fiel à nossa identidade. Começámos de forma mais intuitiva, quase experimental, e ao longo destes 10 anos fomos consolidando uma visão mais clara. Queremos acreditar que hoje somos mais consistentes na programação, na produção e na forma como nos posicionamos enquanto plataforma de descoberta e de construção de um circuito mais alternativo.
Este caminho também foi feito de aprendizagem contínua, de adaptação aos diferentes contextos e de uma vontade constante de fazer acontecer sem perder a proximidade e o cuidado com os artistas e com o público. Chegar aos 10 anos não é apenas uma questão de longevidade, é sinal de resistência e de compromisso com a música e com os formatos que acreditamos, é uma construção coletiva feita a várias mãos.
2. Que momentos destacam para esta edição?
Destacamos, desde logo, o facto de celebrarmos 10 anos de percurso, uma marco que reflete a resiliência e a persistência necessárias para continuar a manter este tipo de eventos vivos e relevantes, sobretudo numa altura em que existe uma grande oferta de festivais. Chegar aqui é também reconhecer todo o caminho feito, as pessoas envolvidas e o público que tem crescido connosco e que nos acompanha. Destacamos ainda a diversidade do cartaz, que cruza diferentes gerações, geografias e sonoridades, e o cuidado que colocamos na construção da experiência de viver um festival como um todo. Mais do que concertos isolados, interessa-nos criar momentos de encontro, proximidade e descoberta, onde o contexto, os espaços e a relação entre artistas e público fazem parte integrante da experiência.
3. O Capote Fest é apenas um braço da Capote Música e da potenciação da música alternativa portuguesa. Como é feito o vosso trabalho ao longo de um ano?
O festival é o culminar de um trabalho contínuo. Ao longo do ano acompanhamos artistas, promovemos talentos, criamos oportunidades de criação e circulação e mantemos uma curadoria ativa, sempre atentos ao que está a emergir e à valorização dos talentos regionais. Criamos e produzimos diferentes formatos de eventos e projetos, como os MUSICÁLOGOS, um espaço de criação e partilha de resultados únicos em torno da música; o trabalho de descentralização que temos vindo a reforçar, levando concertos e programação a aldeias do concelho — MUSIC’ALDEIA; o À SOMBRA, um festival de cariz mais experimental e eletrónico (18/07); e os intercâmbios culturais com o Festival Maravilha e o Madeira Arte Fest, que nos permitem levar e receber música de outros contextos, potenciando a visibilidade e circulação de artistas e projetos musicais. Mais do que um ponto único, interessa-nos criar um território vivo, onde a música acontece em diferentes contextos e proximidades.
4. A vossa comunicação liga-nos diretamente ao Alentejo. Para vocês há muito boa música para além do “Cante” e das músicas mais comerciais em airplay na rádio?
Sem dúvida. O Alentejo é um ponto de partida simbólico e emocional, mas o nosso foco está na música que foge do óbvio, independentemente da geografia. Há uma enorme riqueza na música alternativa portuguesa que merece mais espaço e escuta. Sentimos que os novos projetos têm pouca visibilidade, sobretudo nos circuitos mais tradicionais como a rádio, e isso acaba por limitar o seu alcance. É precisamente aí que tentamos intervir, através dos nossos eventos e da nossa programação, procuramos criar espaço para esses artistas, dar-lhes palco e aproximá-los de novos públicos. Queremos acreditar que é uma forma de contribuir ativamente para um ecossistema mais diverso e representativo.
5. Uma história que te marcou no Capote Fest…
Há vários momentos, mas talvez os mais marcantes sejam aqueles em que sentimos uma ligação real entre artistas e público, em que tudo parece alinhar e criar algo irrepetível, momentos que temos o prazer de proporcionar e que perduram na memória de quem assiste e participa. São também especiais as estreias, bandas a apresentarem os seus projetos pela primeira vez nos palcos da Capote, muitas vezes ainda em construção, e a crescerem ali, diante de um público disponível para descobrir. E, por outro lado, ver novos públicos a chegarem à nossa programação, pessoas que nem sempre têm acesso a este tipo de propostas mais alternativas, e a criarem uma relação com a música que talvez não esperassem.
E depois há tudo o que acontece nos bastidores, as equipas e as pessoas que nos acompanham há tanto tempo, que fazem parte desta construção coletiva e que dão continuidade ao projeto edição após edição. No fundo, são essas relações, dentro e fora de palco, que tornam tudo isto tão significativo.
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