ENTREVISTA: A cenografia e arquitetura dos festivais de música em Portugal, por Miriam do Carmo e Pe

É de conhecimento geral que os festivais são uma experiência sensorial. A música vive no centro mas a oferta é vasta e a competitividade afirma-se cada vez mais pela experiência criada no festival. Quem é capaz de criar mais estímulos? Que papel tem a cenografia e a arquitetura nesta equação? Pedro Carvalho e Miriam do Carmo falam-nos sobre o desenvolvimento da cenografia e arquitetura nos festivais portugueses, são responsáveis pela cenografia do Reverence Valada e do Sol da Caparica assim como da execução do projecto cenográfico do Alive. Mas o seu currículo é vasto e trabalharam também diretamente com artistas como os GNR, o projeto MEO LikeMusic, ou festivais turcos e italianos. Afirmam que a cenografia é um dos campos onde os festivais portugueses podem crescer.


APORFEST – Tiago Fortuna (A): O que representa, no vosso entender, a cenografia num festival?

Miriam do Carmo (MC): Normalmente entende-se a cenografia como algo pertencente ao Teatro, à Ópera e às Artes de Palco no seu sentido mais clássico e lato.No nosso entender a cenografia para festivais prende-se mais com conceitos de Design e de Arquitetura e até mesmo com o do Urbanismo... Quando nos referimos, por exemplo, ao próprio layout/disposição e distribuição do espaço dentro dos festivais. O que condiciona imenso, senão totalmente a experiência do dos festivaleiros.




(A):É parte da experiência?

Pedro Carvalho (PC): Claro que a cenografia é parte da experiência de fruição do festival, mas atua também como agente de comunicação da própria identidade do festival. As pessoas/público gostam de se identificar com algo e também de se sentirem maravilhadas. Logo, pensamos que sim, absolutamente a cenografia é uma parte integrante e estruturante da experiência de qualquer festival ou evento a acontecer numa escala macro, para acolher multidões, de uma forma agradável e urbana, sendo intuitiva e prazenteira para todos.



(A): Como surgiu a oportunidade da Transform-Arte trabalhar em festivais de música?

(MC): Um dos criadores da Transform-Arte, antes desta existir, já trabalhava em produção, nomeadamente na de festivais de música. Logo, foi um percurso bastante natural no processo evolutivo da Transform-Arte.