Zigurfest: o festival onde a música é balanceada com a arte contemporânea. Entrevista: Afonso Lima (diretor)

08/08/2019

Na cidade de Lamego, de 21 a 24 de agosto ocorre mais uma edição deste festival, que já vai para para a sua 9ªedição. O ZigurFest desde a sua génese mantém uma programação tão arrojada quanto diversa, sob os alicerces devidamente equilibrados entre nomes emergentes e nomes com créditos já afirmados no panorama nacional. Num festival gratuito mas com um cartaz bastante interessante passarão na edição de 2019 nomes como: Filipe Sambado & os Acompanhantes de Luxo; Glockenwise; Chinaskeekrake + Adolfo Luxúria Canibal, entre muitos outros. É com a cidade como seu palco que o ZigurFest se afirma como um grande festival no panorama nacional. Falámos com Afonso Lima, o seu diretor.

 

APORFEST: São já 9 edições de Zigurfest. O que podemos esperar em 2019?
Afonso Lima: Sem dúvida um festival mais maduro e mais enraizado na dinâmica cultural da cidade de Lamego e da região. Por um lado, temos um cartaz com mais alguma robustez e equilíbrio entre nomes sonantes do circuito alternativo português, enquanto arriscamos cada vez mais com propostas ousadas e diferenciadas das novas tendências do que é feito no panorama musical e artístico em Portugal. Por outro lado, sentimos que nesta fase também já estamos mais maduros perante o público que nos conhece: o público já vem pela experiência do ZigurFest no seu todo, na descoberta de música, na descoberta da cidade de Lamego, nas propostas das residências artísticas e instalações, etc. A nível de novidades este ano salientamos o novo palco no Largo do Castelo de Lamego que será uma experiência única para quem nos visita.

Como tem sido a evolução do festival até aqui? Porque caiu a sigla "TRC" do mesmo? 
Tem sido uma evolução sempre em crescimento. De ano para ano temo-nos desafiado a introduzir novas atividades na programação e a explorar novos espaços da cidade de Lamego, e o público tem percebido e aderido à nossa mensagem do gosto pela exploração e descoberta. O ZigurFest começou como parte integrante da programação do Teatro Ribeiro Conceição (TRC) e com o tempo foi evoluindo numa estrutura que nos levou a perceber que (apesar de continuar a ser a "nossa casa") o festival já não era apenas do Teatro mas de toda a cidade, e por isso fez sentido para nós e para o município deixar cair a sigla TRC assumindo a cidade como o palco do ZigurFest. 

Que valor traz o mesmo para a cidade de Lamego e de que forma o município aposta neste conceito?
Desde o seu inicio o ZigurFest foi pensado como uma iniciativa de política cultural pública, e por esse motivo esse continua a ser para nós o principal valor que trazemos para a cidade: a eliminação de barreiras no acesso cultural à população do interior no país. Adicionalmente, sabemos que conseguimos trazer uma nova visibilidade à cidade de Lamego. Ao longo destes anos demos a conhecer também uma faceta de Lamego voltada para a cultura e arte contemporânea que vive em equilíbrio com a sua história. O Município de Lamego é o nosso principal parceiro, e nesse sentido disponibiliza condições humanas, logísticas e financeiras que possibilitam que o ZigurFest aconteça.
 

É hoje mais difícil por em prática a logística do festival do que no início?
Montagem e desmontagem de vários palcos em sítios completamente diferentes da cidade e onde é bastante improvável que exista um palco. Conseguir fazer acontecer concertos intimistas em lugares especiais requer um elevado nível de dedicação e preparação. A gestão financeira também pois o evento ainda é feito com um orçamento extremamente curto para aquilo que se oferece. E por fim conseguir chegar a um consenso no alinhamento, pois há muita coisa boa na música portuguesa que gostávamos de conseguir trazer a Lamego.

Que cuidados têm com o mesmo a nível de sustentabilidade: social, económica e ambiental?
A nível da sustentabilidade a nossa maior preocupação é do ponto de vista social e económico, desde o nosso inicio que o foco é em dar palco a novos projetos do panorama português, e acreditamos que desta forma temos contribuido positivamente para o crescimento do sector em segmentos de entrada, onde existem menos oportunidades. A nivel ambiental também temos vindo a ter atenção à nossa pegada ecológica, nomeadamente na redução da publicidade impressa descartável - deixamos já completamente de usar flyers, por exemplo, contudo sabemos que ainda há muito que poderemos vir a fazer para influenciar o nosso público a reduzir a nossa pegada ecológica.

Como alcançam e fidelizam o vosso público?
Essencialmente, temos um trabalho contínuo das pessoas que fazem parte da Zigur a promover a descoberta da nova música feita em Portugal - ao longo do ano temos eventos nomeadamente no Porto, em Lisboa e Lamego que nos ajudam a manter a ligação com o nosso público target, que já nos reconhece pela proposta de descoberta da nova música portuguesa que caracteriza a Zigur. Adicionalmente, mantemos sempre a proposta do ZigurFest como uma experiência desafiante, levanto sempre o festival um pouco mais longe ou a explorar locais diferentes, o que para o nosso público é uma proposta que o mantém interessado. Finalmente o nosso trabalho caracteriza-se por ser de grande proximidade com a comunidade, o que permite que exista um elevado grau de familiaridade dentro do festival e isso se transmita para quem nos visita, e desta forma cria o desejo de regressar.

De que forma a APORFEST e os seus eventos profissionais principais (Talkfest e Iberian Festival Awards) são um ponto de suporte a vocês e ao festival?
A existência de uma associação neste sector impõe-se pela necessidade de profissionalização do mesmo. A verdade é que muitos dos festivais existentes surgiram tal como o ZigurFest de uma forma bastante informal, o que lhes dá um cariz especial aos mesmos, mas com tempo e para que possam ter continuidade, estes precisam de se ir profissionalizando. Se por um lado a APORFEST tem tido esse papel de ajudar a profissionalizar destas estrutura, também pode ajudar na sensibilização de agentes politicos e corporativos para a importância social e económica destes festivais.

 

 

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