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Um festival para todos: Medidas de acessibilidade tomadas pelo Festival Vapor 2026 que o destacam no setor

há 48 minutos
4 min de leitura

O Festival Vapor é um festival multidisciplinar promovido pelo Município do Entroncamento e o Museu Nacional Ferroviário, celebra a sua 6º edição nos próximos dias 3 e 4 de outubro de 2026 e conta com artistas como XTINTO, IOLANDA ou Stereosauro. Este encapsula uma atmosfera de fantasia com o tema steampunk, contando com uma programação cheia de atividades artísticas, tecnológicas e científicas, que permitem ao público mergulhar neste ambiente. Mas a escolha deste lugar como recinto do festival não foi apenas pela estética, mas também pela acessibilidade.


O Museu Nacional Ferroviário sempre teve em mente o acesso fácil e inclusivo para pessoas com incapacidades no seu espaço, para que todos possam ter a experiência de viajar no tempo e conhecer o património nacional. É destacado nacionalmente por tal, fazendo com que fosse o espaço mais indicado para receber este festival que, mesmo ainda sendo pequeno, ultrapassa muitos dos grandes festivais na questão da acessibilidade.

Nesta entrevista à APORFEST, Manuel Cabral, Presidente da Fundação do Museu Nacional Ferroviário fala sobre as iniciativas tomadas e recursos disponibilizados tanto pelo museu quanto pelo festival para o tornar mais acessível e confortável a todos, contando com um reforço neste plano relativamente aos anos anteriores.


  1. Que medidas de acessibilidade foram implementadas na edição de 2026 do Festival Vapor e que necessidades concretas do público procuraram responder?

Foi implementado um plano de acessibilidades para responder às necessidades de visitantes com limitações motoras, visuais, auditivas e neurodivergência.


As medidas incluem a entrada gratuita para a pessoa com deficiência e acompanhante, estacionamento prioritário público junto à entrada do Museu, rampas de acesso, elevador e plataforma elevatória.


São também disponibilizadas cadeiras de rodas mediante solicitação.


Existem abafadores de som para pessoas neurodivergentes, tradução em Língua Gestual Portuguesa de todos os concertos e espetáculos, pontos de água para cães-guia e zonas prioritárias dedicadas junto aos palcos.


É importante sublinhar que estas preocupações com a acessibilidade e a inclusão não se esgotam no Festival Vapor, sendo transversais a todo o trabalho do Museu Nacional Ferroviário, constituindo uma prática contínua que já foi objeto de vários prémios e distinções nacionais, tanto pela Acesso Cultura como pela APOM. Decorrendo no recinto do Museu Nacional Ferroviário, o Festival Vapor, que acontece desde 2018 e tem em 2026 a sua 6.ª edição, encontra no local as condições ideais para levar estas preocupações ainda mais longe, aprofundando o compromisso de criar uma experiência plenamente acessível e integradora.


  1. Como foi pensada a acessibilidade do festival para pessoas com mobilidade condicionada, desde os acessos e circulação no recinto até às zonas de público, casas de banho e restantes serviços?

A acessibilidade física pretende garantir a circulação contínua e o acesso aos serviços em todo o recinto. Para a deslocação, existem rampas e pavimento podotátil de exterior, contando ainda com a possibilidade de requerer o empréstimo de cadeiras de rodas.


Para a assistência durante os espetáculos, a organização criou zonas prioritárias e existe uma plataforma elevatória reservada que pode ser usada pela pessoa com deficiência e pelo seu acompanhante.


Os restantes serviços do recinto incluem instalações sanitárias devidamente acessíveis e bancadas ou stands com formato adaptado.


  1. Para além da acessibilidade física, que soluções foram disponibilizadas para pessoas com diferentes necessidades sensoriais, cognitivas ou de comunicação?

Para responder às necessidades de comunicação, a organização disponibiliza tradução em Língua Gestual Portuguesa durante os concertos e espetáculos.


Ao nível da sensibilidade sensorial e neurodivergência, são facultados abafadores de som. Para apoio ao público com deficiência visual e utilizadores de cães de assistência, o espaço está equipado com faixas táteis e pontos de água especificamente destinados aos animais de assistência.




  1. De que forma a equipa do Festival Vapor foi preparada para acolher e acompanhar pessoas com necessidades específicas, garantindo que as medidas de acessibilidade se traduzem também numa experiência mais autónoma e inclusiva?

A organização focou a sua abordagem no fornecimento de recursos e equipamentos de apoio que permitam ao público desfrutar do espaço. A equipa assegura a gestão e entrega de equipamentos como abafadores de som e cadeiras de rodas, sob pedido, ao mesmo tempo que presta acompanhamento dedicado na receção e no encaminhamento dos visitantes e grupos até às zonas prioritárias do recinto.


A par da montagem das acessibilidades físicas, existiu uma preparação e formação progressiva da equipa que lida diariamente com os visitantes, decorrente do trabalho inerente ao acolhimento de visitantes no Museu Nacional Ferroviário.


  1. Que feedback receberam do público relativamente às medidas a implementar em 2026 (ou já implementadas anteriormente)? Houve alguma solução ou necessidade identificada durante o festival anteriormente que influenciou esta edição?

O Festival Vapor assume a acessibilidade como um compromisso de melhoria contínua ao longo de todas as suas edições, procurando auscultar a experiência e as necessidades do público para aperfeiçoar cada nova edição.


Para tornar esta evolução constante uma realidade, a parceria estratégica estabelecida com a Fundação “la Caixa” e o BPI desempenha um papel fundamental, permitindo dotar o festival de recursos, conhecimento especializado e soluções que contribuem para a identificação e superação progressiva das barreiras do recinto.


O desenvolvimento de um projeto artístico regular com o CERE - Centro de Ensino e Recuperação do Entroncamento e o Leirena Teatro tem ajudado ao empoderamento dos utentes desta instituição e ao estabelecimento de pontes entre estes e os visitantes do festival. Esta ação tem sido também importante para dar visibilidade ao plano de acessibilidade e para afirmar o festival enquanto espaço de diversidade e inclusão, uma dimensão valorizada pelo público.


  1. A acessibilidade deve ser pensada como um conjunto de medidas específicas ou como uma característica transversal à conceção de um festival? Que próximos passos gostaria o Festival Vapor de dar nesta área?

Para além dos recursos referidos anteriormente, da capacitação das equipas e das ações de comunicação e divulgação, que contemplam embaixadores, como o ator Vasco Seromenho (vídeo aqui e no Instagram e Facebook), e uma relação de proximidade com instituições da região focadas no apoio a pessoas com deficiência, sentimos que é necessário trabalhar no sentido de esbater as barreiras sociais e psicológicas que condicionam o acesso das pessoas com deficiência à fruição cultural.


Estamos, por isso, a estruturar uma estratégia de longo prazo que permita criar redes de confiança e contribuir para a mitigação destas últimas barreiras à participação, conscientes de que só uma intervenção contínua e sistémica poderá produzir os efeitos pretendidos.







 
 
 

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