Produção de eventos mais facilitada: software preview 3D de efeitos visuais + entrevista [atualizado]

07/09/2016

Com o aumento do número de concertos e festivais nos últimos anos assim como a sua procura, a indústria do software e hardware decidiu criar novas tecnologias que permitem que cada concerto seja customizado e que possam ser criados efeitos impactantes e experienciais de forma a destacar um determinado espetáculo de todos os outros existentes. Falamos de equipamento que permite criar um design de luzes de palco e originar um palco virtual em 3D para pré-visualizar os mesmos.

 Créditos: Liz Bauman (Vectorworks)

 

Já existem várias soluções deste software como por exemplo: o ESP Vision comprado recentemente pela Vectorworks e utilizado no último Rock in Rio Lisboa (como se pode ver na imagem acima) para preparar toda a iluminação do festival ou o Cast Software utilizado na tour “Drones” dos Muse para coordenar e gerir todas as projeções com os movimentos da banda assim como para controlar o movimento dos drones que voam por cima do público.

 

No último episódio da série que documenta os momentos mais importantes para o dj Martin Garrix, é possível ver o mesmo e os seus designers a criarem e prepararem todo o espetáculo de encerramento do primeiro dia do festival Ultra 2016 em Miami e como tudo ganha vida no próprio festival (ver min. 11:00 até 13:41).

Este tipo de tecnologia permite que os artistas estejam mais envolvidos nesta parte do espetáculo e que os designers tenham a “vida facilitada” por terem uma forma de controlarem mais facilmente, sem necessitarem de uma grande equipa, tudo o que acontece no palco e desenhar tudo o que se vai passar antes do concerto e também por poderem mostrar o seu trabalho ao cliente.

Este software não é apenas utilizado para concertos ou festivais, mas também de aplicação em muitos outros contextos como: controlo de luzes de jardins, edifícios, programas televisivos e teatro.

 

Para termos um ponto de vista de alguém que utiliza este tipo de software como uma das principais ferramentas de trabalho falámos com Terry Cook , designer sénior da Woodroffe Bassett Design, empresa responsável pelo design de luzes do Rock in Rio.

 

APORFEST- De que forma é que o software de preview de luzes ajuda designers como o próprio Terry a melhorar e a inovar nesta área?

O que o software de preview dá a um designer de luzes é uma ferramenta que permite visualizar o que é possível fazer num determinado espaço, ajuda-nos a criar um rascunho para que posteriormente seja feita a aprovação por parte de artistas e promotores e ver o que é possível fazer. No caso da Woodroffe Bassett Design este software é utilizado para termos uma perceção de como vai ser o espetáculo, de como as luzes se movem pelo ar e o mais importante de tudo, dá-nos a possibilidade de mostrar ao cliente as nossas ideias.

 

Quais foram os principais desafios enfrentados no Rock in Rio 2016? Qual foi o espetáculo mais desafiante em que trabalhou?

O principal desafio no RIR é o tempo, a Woodroffe Bassett foi responsável pelo design de luzes de 13 espaços, todos em funcionamento ao mesmo tempo, todos a precisar de serem focados, programados e editados. O espaço onde o RIR ocorre é gigante por isso só atravessar o recinto de uma ponta à outra já é por si só um desafio. É a 3ª vez que a nossa empresa trabalha com o Rock in Rio e achamos sempre ser um festival desafiante mas também incrível.

O espetáculo mais desafiante em que trabalhei foi o recente projeto Amazonia Live para o Rock in Rio, em que tivemos que iluminar um palco no meio da floresta Amazónica. Foi um evento fantástico mas também foi muito complicado de concretizar, primeiro estamos a flutuar num rio e segundo esse rio está no meio da floresta, com uma meteorologia que pode mudar de um momento para o outro. O equipamento foi todo transportado até ao porto mais próximo e depois carregado em barcos mais pequenos até ao palco. Apesar de todos estes desafios o concerto aconteceu sem qualquer problema e foi incrível.

 

Acha que este software permite que os músicos estejam mais envolvidos no processo de design de luzes dos seus próprios espetáculos?

Sim e não. O programa permite que eles vejam em primeira mão como vai ser esta parte do espetáculo, contudo estes softwares ainda não conseguem substituir estar em palco com o set pronto e as luzes ligadas, contudo é uma ferramenta muito importante porque permite que eles vejam todos os efeitos e como as pessoas que vão ao concerto vêem o palco.

 

De que forma acha que esta tecnologia irá evoluir e qual será para si o futuro do design de luzes?

Boa pergunta, acho que as luzes vão continuar a ser cada vez mais brilhantes, mais robustas e menos pesadas. Estou muito curioso para ver o que o futuro reserva, eu vejo sistemas cada vez mais rápidos a aparecerem no mercado e o uso de vídeo ligado ao movimento, contudo nunca sabemos… isso é o mais mágico acerca do que fazemos, a tecnologia irá evoluir enquanto nós evoluímos e temos que estar sempre a evoluir e a adaptarmo-nos para não ficarmos ultrapassados. Uma coisa posso garantir, o futuro vai ser brilhante!

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