A vida faz-se Festivalando. Entrevista: Gracielle Fonseca e Priscila Brito (fundadoras)

07/09/2016

 

O Festivalando é um website brasileiro onde se pode encontrar dicas, ferramentas, relatos, informação e opinião sobre o universo dos festivais. Tudo começou com o amor pelos festivais e pela música ao vivo, mas agora é muito mais que isso, Festivalando é um espaço valorizado pela indústria dos festivais não só no Brasil mas mundialmente. Estivemos à conversa com as fundadoras do Festivalando, Gracielle Fonseca e Priscila Brito.

 

APORFEST: O Festivalando conquistou o seu espaço como um meio de divulgação no Brasil e está a alargar fronteiras. Como surgiu a vossa ideia?

Gracielle Fonseca: Nós estávamos muito insatisfeitas com os nossos trabalhos como jornalistas. A Pri trabalhava num jornal e eu trabalhava numa televisão. Desde há muito tempo que somos fãs de música e principalmente de ver a música ao vivo. Eu e a Pri temos uma vasta coleção de ingressos (e agora de pulseiras de festival) e queríamos fazer algo com isso. Transformar a paixão por música num trabalho. A Pri já tinha experiência com Blogs, tinha vontade de viajar e eu estava prestes a passar um ano fora, na Dinamarca. Então, um belo dia, enquanto tomávamos muito sorvete, o açúcar subiu às nossas cabeças e decidimos criar o Festivalando como um produto de uma viagem que faríamos para alguns dos festivais de música e com os quais sempre sonhamos. A princípio, éramos três amigas nesta aventura. Eu, Pri e a Paula, que fazia intercâmbio em Budapeste. Com o tempo a Paula foi para outros projetos, e nós continuámos a experimentar e tentar inovar dentro do Festivalando.

 

Como se diferenciaram perante a proliferação de meios online hoje existentes?

Gracielle Fonseca: Não existem muitos meios no Brasil exatamente com a mesma proposta que a nossa: falar dos festivais sob a perspectiva do turismo musical. Somos o primeiro site brasileiro que une música e turismo dentro da proposta dos festivais de música. Assim, cada ida nossa aos festivais não se encerra somente nos aspectos dos concertos. Nós sempre procuramos entender cada detalhe dos festivais, da experiência de estar num festival. Também observamos as culturas dos locais, as possibilidades de turismo e, principalmente, aquele turismo que se liga à música. Pode ser uma visita a uma loja de discos emblemática, por exemplo, ou uma visita a um estúdio onde um artista ou banda gravaram trabalhos, pode ser um museu dedicado a uma banda. Enfim, os festivais e a música são os motes do turismo que fazemos e, consequentemente, daquilo que escrevemos.

 

Qual o vosso percurso até aqui? Qual o papel de ambas no Festivalando?

Priscila Brito: O Festivalando começou como um blog com relatos de nossas viagens para festivais e hoje é um hub de conteúdo sobre viagens para festivais com reconhecimento de nomes importantes da indústria. Continuamos a publicar as nossas experiências nos festivais pelo mundo, pois esta é a alma do Festivalando, e também damos muita informação sobre o assunto, pois este é o nosso compromisso como jornalistas. Mas hoje temos também ferramentas como um Google de festivais, um mapa de festivais e um ranking de festivais, todos feitos para ajudar quem quer conhecer o mundo através de festivais de música. O Festivalando também é hoje integrante da rede de blogs da MTV Brasil e embaixador do Lollapalooza Brasil e do Electric Daisy Carnival Brasil, ambos realizados pela Time For Fun, a maior empresa de entretenimento ao vivo da América Latina. Nós duas somos responsáveis pelo conteúdo do site. Além disso, a Gra cuida das edições multimédia e eu, das tarefas administrativas.

 

Passaram de um meio que comunicava os festivais mas hoje são os festivais, marcas e artistas que precisam de vocês, correto?

Gracielle Fonseca: Atualmente, nós vivemos num outro paradigma de comunicação, no qual os grandes canais de media deixaram de ser o ponto central da experiência das pessoas. Vivemos numa sociedade totalmente "midiatizada", mas que não tem mais os grandes meios de comunicação como o centro que alimenta e demanda. Há uma relação mais complexa e mais intrincada entre o público e os meios de comunicação, graças à internet. Por isso, o público não busca informações somente nos meios tradicionais. Na verdade, o público começa a perceber que os meios tradicionais não conseguem dar conta dos nichos, não vão atender às especificidades e demandas de sujeitos tão diversos. Por isso, não faz mais sentido que festivais e marcas concentrem seus esforços nos grandes meios. As audiências estão cada vez mais segmentadas e procuram aqueles meios que conseguem dialogar com elas. Nós, no Festivalando, entendemos bem esta audiência, pois somos parte dela. Sabemos como é, quais são as expectativas e desejos do público com relação aos festivais de música. Hoje, somos vistas como meio de referência para o assunto, aonde as pessoas vêm buscar informações, conselhos e dicas. Realizamos pesquisas com a audiência periodicamente. Elas, assim como comentários nas redes sociais, mostram-nos que o público toma muitas decisões com relação a festivais em função daquilo que falamos. Muita gente lança-se na aventura de viajar para festival porque nos viu a fazer o mesmo. Observamos até o surgimento de alguns meios alternativos brasileiros que se inspiraram recentemente nesta nossa proposta. Assim, um mercado voltado para os festivais de música e turismo começa a ser esboçado no Brasil. E nós estamos sempre felizes em saber que fomos vanguarda nisso, e que acumulamos um conhecimento muito importante para esse mercado.

 

Quais as vossas ideias futuras?

Priscila Brito: Nós queremos explorar mais a fundo os festivais europeus, pois é o mercado mais interessante e diversificado que temos hoje. Continuar a dar atenção aos festivais do Brasil e da América Latina também é importante. Mas também queremos viajar para festivais em regiões onde ainda não estivemos, como os Estados Unidos, a Ásia e a África. Planeamos também desenvolver produtos editoriais próprios e um aplicativo que reúna funcionalidades para quem se interessa por festivais de música.  

 

De que forma acham que a Aporfest pode ser importante na evolução do vosso projeto?

Priscila Brito: A Aporfest pode ser importante para nós em diversas frentes. Primeiramente, pode nos ajudar a aproximar do público português e dos festivais portugueses. Criámos o projeto com a intenção de falar com o público brasileiro, mas percebemos aos poucos que será necessário dialogar com os festivaleiros portugueses também. É surpreendente para nós descobrir que estamos construindo uma audiência crescente em Portugal. Esta audiência é hoje três vezes maior do que era no ano passado e Portugal é o segundo país que mais acessa o Festivalando. É algo novo e inesperado, ainda precisamos refletir melhor sobre como trabalhar isto e a Aporfest pode ser uma aliada nesse processo. Ao mesmo tempo, a Aporfest pode nos ajudar a apresentar para os nossos leitores brasileiros o vasto mercado de festivais em Portugal com mais profundidade. A Europa é o destino de viagem preferido da audiência do Festivalando e Portugal é um país com bastante apelo, tendo em vista as proximidades culturais, históricas e as facilidades com custos de viagem. Finalmente, fazer parte de uma organização que reúne representantes da indústria dos festivais traz credibilidade, aprendizado e novas oportunidades para o Festivalando.

 

Fotografia: Ismael dos Anjos

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