O clássico nunca poderá ser mainstream. Entrevista: Cesário Costa (diretor artístico In Spiritum - Festival de Música do Porto)

"A música e o património voltam a cruzar-se no Porto" é o mote da 5ª edição do In Spiritum, com concertos que aproveitam locais emblemáticos da cidade mas muitas vezes de difícil acesso ao público, ou porque estão fechados ou porque neles não existem atividades culturais. Para este ano estão previstos 7 concertos e falámos, por isso, com o seu diretor artístico para assim percebermos a estratégia de 2018 para o festival.

 

 

APORFEST: O que é o In Spiritum - Festival de Música do Porto?

Cesário Costa: O In Spiritum – Festival de Música do Porto propõe-se descobrir o património histórico, através da música, associando um repertório específico ao ambiente único de cada espaço, proporcionando novas leituras da cidade do Porto. Este roteiro musical e histórico explora alguns dos principais espaços monumentais da cidade, onde o património e a música convergem numa programação musical diversa, em estilo e em período temporal.

 

Qual a sua evolução para a edição de 2018?

Na edição de 2018, o festival dá a conhecer novos espaços da cidade do Porto como o Salão Nobre da Câmara Municipal do Porto, o antigo Café Astória (atualmente integrado no Hotel InterContinental do Porto), a Casa do Infante, o Conservatório de Música do Porto, o Ateneu Comercial do Porto e, apresenta-se, tal como na edição de 2017, em mais um concerto no Salão Árabe do Palácio da Bolsa. Em seguimento da edição anterior, pretendemos revelar ao público o passado histórico de novos locais, através da música modelo, em Leipzig, e que terá lugar já no ano de 2019. Temos muitos e interessantes desafios pela frente.

 

De que forma se diferencia dos demais festivais de música clássica em Portugal?

O que distingue o In Spiritum - Festival de Música do Porto é o seu conceito único de programação. Ao estabelecer a relação entre a música e o património histórico da cidade, proporciona ao público uma experiência única e especial em cada um dos espaços nos concertos que ali se realizam.

 

O que falta para um festival de música clássica se tornar "mainstream" em Portugal?

Um festival de música clássica nunca poderá competir com outros tipos de festivais, com estilos musicais com que o público mais se identifica. Porém, deverão ser desenvolvidas estratégias para levar o público aos concertos de música erudita, que passam por desenvolver novos formatos de programação, mais abrangentes e diferenciadores.

 

Como realizam a cativação de público nacional e internacional para o vosso festival?

São várias as estratégias utilizadas: a parceria com diferentes meios de comunicação social relevantes a nível nacional e local, a utilização das redes sociais para estabelecer uma maior proximidade com o público e também um contacto direto com os turistas estrangeiros que visitam a cidade do Porto durante o período concreto em que se realiza o Festival.

 

Como olham para o panorama dos festivais em Portugal - onde estamos bem e o que falta?

Julgo que existem, atualmente, de norte a sul do país, os mais variados tipos de festivais de música com uma oferta artística de grande qualidade, e que se afirmam, cada vez mais, como eventos de referência nacional e internacional, essa questão traz uma vantagem e obrigação de de realizar mais a todos.

 

De que forma a APORFEST e a introdução no Talkfest e Iberian Festival Awards poderá ser importante para o desenvolvimento deste evento?

É muito importante para o In Spiritum - Festival de Música do Porto todo o conhecimento e experiência que a APORFEST pode acrescentar na organização e produção desta e de futuras edições do Festival.

 

 

 

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