Quando os eventos e festivais de grande dimensão (não) criam vantagens aos parceiros económicos próximos dos seus recintos

26/07/2018

Recentemente estalou a polémica junto dos comerciantes (nomeadamente de bares e restaurantes) da zona ribeirinha do Parque das Nações, em Lisboa. Desgastados com as constantes limitações nos acessos rodoviários e pedonais às suas unidades ponderam estes apresentar medidas de protesto e até encerrar portas fruto de perda de negócio em dias como o Web Summit ou o Eurovisão se tais limitações continuarem a nível estratégico ou de segurança pelo Município de Lisboa no futuro.

 

Coloca-se assim a questão que dá título a este artigo se os Eventos e festivais, nomeadamente os de grande dimensão, criam ou não vantagens aos parceiros económicos (e.g. alojamento, restauração, retalho) próximos dos seus recintos? 

 

Várias são as histórias que fazem parte dos festivais de música de como o ecossistema local necessita dos mesmos (principalmente quando estes ocorrem fora de grandes cidades), na semana que os antecedem e na semana da sua ocorrência, para poder sobreviver e manter negócio o resto do ano, destacando-se os casos de Zambujeira do Mar, Idanha-a-Nova, Cem Soldos ou Paredes de Coura. Inicialmente todos sentiram receios por não perceber quem são os frequentadores destes eventos, mas percebendo o consumo e mais-valias adquiridas tornam-se dependentes da sua ocorrência anual. O município de Odemira revela anualmente o impacto de mais de um milhão de euros com o Meo Sudoeste, número lançado no Talkfest - International Music Festivals Forum pelo seu presidente.

 

Voltando ao início, é verdade que Lisboa precisa menos dos grandes eventos fruto do atual fluxo turístico, sendo estes importantes mais para uma questão de credibilização e posicionamento mundial, do que outras cidades portuguesas. Olhamos para a restauração deixada pela Expo'98 do Parque das Nações e esta está hoje revitalizada fruto do novo fluxo turístico e dos constantes eventos musicais e profissionais de grande dimensão que por lá passam mas que são recorrentes e trazem hábitos tornando este um ciclo claro em que todos saiem beneficiados. Quem não pretende, no seu negócio, ter 50 mil visitantes diários extraordinários a pé (com poder económico) próximo das suas unidades comerciais como é o caso do que permite o Web Summit ou 18 mil visitantes para assistir a um concerto da banda favorita mas que antes de abertura de portas necessitam de jantar? Quantas unidades comerciais, mesmo não associadas ao festival beneficiam da existência de eventos? Nas últimas edições do Super Bock Super Rock, localizadas no Parque das Nações e com a proximidade de um centro comercial na entrada do seu recinto este festival garantiu um maior fluxo de clientes nas horas próximas às grandes refeições. Se calhar a um fim-de-semana fez pouca diferença mas no primeiro dia (a uma 5ªfeira) essa diferença fez-se notar e beneficiou os seus lojistas.

 

Poderia este artigo ter muitos mais exemplos e o que importa é o claro benefício que os grandes eventos trazem, mas que obrigam sempre a mudanças (pontuais ou permanentes) na logística da sua envolvente e quem não está recetivo a essas questões é porque pretendem publicidade gratuita apenas ou não entenderá e atenderá bem o público que estes eventos trazem!

 

 

 

 

 

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