Carviçais adapta o seu festival às escolhas do público jovem atual. Entrevista: Diogo Braz (diretor artístico)

15/04/2019

O Festival Carviçais possuí uma história singular no panorama dos festivais portugueses tendo passado por diversas fases, sempre tentando adaptar-se ao contexto onde se realiza e às exigências do público que o frequenta. Em 1996 teve a sua primeira edição e nos anos consecutivos seguintes recebeu os maiores artistas rock nacionais e alguns dos melhores internacionais - e.g. The Gift, Young Gods , Thievery Corporation, Napalm Death, Xutos & Pontapés - numa organização essencialmente privada e que colocou o festival como uma referência nacional. Hoje a sua produção está sob a responsabilidade pública, existem muito mais concorrentes, tirou a vertente "Rock" como único estilo musical presente, e por isso tenta ir ao encontro daquilo que são as preferências do público local procurando ter uma abrangência nacional. Falámos com o seu responsável artístico.

 

 

APORFEST: O que podemos esperar do Festival Carviçais para 2019?
Diogo Braz: O Festival Carviçais surge este ano com uma “cara” renovada, com o objetivo de abranger um número maior [de espectadores] no que diz respeito ao público-alvo. Dispõe de um cartaz muito bem conseguido, com artistas de renome do panorama nacional, como é o caso de Bezegol, Mundo Segundo e Sam the Kid, Karetus ou Putzgrilla. Para além da música e dos concertos que se aguardam muito ansiosamente, o Festival Carviçais também proporciona uma série de atividades, entre as quais, o Rally-Tascas, o 3x3 Futebol de Rua, o Gira-Volley ou a Liga FIFA, das quais os festivaleiros podem usufruir e assim ficar a conhecer mais sobre esta aldeia do nordeste transmontano. Para a edição deste ano, vamos apostar muito nas condições do campismo, com o objetivo de acolher um maior número de festivaleiros na aldeia.

A área da cultura e dos festivais evoluiu muito na última década - mais eventos mas também mais público predisposto a alargar o seu conhecimento. Como desviam as atenções para o vosso festival que decorre fora dos grandes fluxos populacionais?

O nosso Festival marca a diferença por ser realizado em contexto rural, numa aldeia do interior transmontano. Para quem gosta de adquirir novos conhecimentos, de explorar/visitar novos locais e sair do seu habitat natural é um ótimo ponto de encontro para o fazer. Aliado a esse conhecimento e a esse saber, há também a parte da diversão e felicidade com a qualidade da música a vir ao de cima.

Porque deixaram cair a designação rock no nome do festival?

Tal como foi referido na primeira questão, alteramos o conceito com o objetivo de alargar e abranger o nosso público-alvo, e assim não estarmos restritos ao conceito de rock [que se tem afastado nas escutas preferenciais do público-jovem atual].

Como se diferenciam dos restantes festivais com um line-up semelhante ao vosso?

O que nos torna diferentes em relação aos outros festivais é mesmo o fator da localização. O Festival Carviçais constitui uma referência no leque de festivais da região e com isto, queremos dar continuidade a este processo, com qualidade dos intervenientes e com condições para que os festivaleiros se sintam à vontade e possam desfrutar do poder da [nossa] aldeia.

 

De que forma este evento se encaixa na restante programação de Carviçais?

A Junta de Freguesia de Carviçais assim como o Município de Torre de Moncorvo são os principais pilares da realização deste festival, não deixando que nada falte e ajudando assim a que este esteja disponível ao público, a baixo custo.

O que pretendem comunicar? Que legado estão a deixar junto do vosso público?

O feedback que temos recebido edição após edição, é extremamente positivo. A população fala do Festival, os jovens falam das bandas/artistas que vão atuar, combinam planos para esses dias, partilham stories e publicações acerca do festival, etc. Assim sendo, é algo que nos deixa entusiasmados e com uma enorme motivação e ansiedade para o que vai ser a edição deste ano, nesta que será uma nova etapa.

O que podemos esperar no futuro?

O futuro ninguém sabe. Vamos pensar ano a ano, edição a edição, tentando proporcionar o máximo de felicidade e qualidade para e junto daqueles que de alguma forma, querem fazer parte da história e do que é o Festival Carviçais.

De que forma a APORFEST – Associação Portuguesa Festivais Música poderá ser um apoio para o festival?

Penso que a APORFEST tem feito um trabalho fantástico em prol da divulgação/promoção dos festivais de música em termos nacionais. Algo que é de louvar, ficando desde já os nossos sinceros parabéns. Em termos de apoio para o nosso festival, é sempre muito importante termos algumas notícias com os nomes do cartaz pois são estes que permitem mais promoção, divulgação e reconhecimento junto da sociedade. Por outro lado, estamos também inteiramente recetivos para elaborar uma entrevista sobre a realização deste tipo de eventos no interior, bem como o fator da interioridade no evento. Gostaríamos também de vos convidar (assim como os leitores) a vir sentir o poder da aldeia nos dias 18, 19 e 20 de Julho e visitar o nosso “paraíso” transmontano, bem como comer uma valente posta à mirandesa no Restaurante “O Artur”, o qual os artistas que por cá passam nunca esquecem.

 

 

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