Artigo Científico: Efeitos do movimento de luz durante festivais de música eletrónica

03/09/2019

A indústria da música eletrónica está em pleno crescimento a nível mundial. É uma indústria que gera cerca de 5,7 mil milhões de euros anuais a nível global, e cada vez mais tem a capacidade de atrair público de todas as idades. No entanto, a par com este aumento veio também o aumento do número de jovens expostos a música com o volume muito alto, e também a efeitos de luz estroboscópicos muito intensos. Importa referir para este estudo que um movimento estroboscópico é um movimento repentino e repetitivo da luz, que pode provocar ataques de epilepsia a indivíduos sensíveis a esta questão. Ondas de luz entre os 15-25 hertz são propícias a provocar este tipo de ataques, especialmente em jovens privados de horas suficientes de sono e com epilepsia fotossensível. Mas serão os festivais de música eletrónica associados a este tipo de acontecimento?

 

O estudo em questão tem então como objetivo medir o risco de ataques epiléticos durante festivais de música eletrónica, numa amostra de 28 festivais analisados na Holanda. Os mais de 400 mil festivaleiros analisados servem para retirar uma série de conclusões numa temática nunca antes explorada. Os autores questionam esta falta de estudo como consequência para a falta de aviso dos organizadores deste tipo de festivais ao seu público. Uma das conclusões retiradas em primeira instância, antes das conclusões finais é que efetivamente este risco colocado em hipótese será sempre mais elevado em comparação com a população em geral tendo em conta a natureza dependente da idade da epilepsia fotossensível.

 

Créditos: Daniel Azevedo

 

 

Os autores referem também um estudo de caso ocorrido num festival de música eletrónica indoor, com um jovem com cerca de 20 anos, sem histórico de outros ataques epiléticos, nem de uso de drogas ou outro tipo de substâncias. Curiosamente um dos autores do estudo estava no mesmo espetáculo, e acabou por estar a filmar o concerto mais ao menos na mesma altura que deu o ataque epilético ao jovem. Este vídeo permitiu alargar o estudo, expondo o jovem ao mesmo, estudando de perto a sua reação. O exame mostrou atividade “anormal” do seu cérebro durante a visualização do mesmo.

 

No estudo principal de análise foi relatado o uso de substâncias tais como ecstasy (26% no grupo exposto e 9,7% no grupo que não estava exposto), e também 39 ataques epiléticos no total. Os concertos de música eletrónica quase sempre usam efeitos de luz estroboscópicos. Este estudo sugere fortemente que tais efeitos de luz podem aumentar significativamente o risco de convulsões epiléticas entre os festivaleiros. Os efeitos da luz estroboscópica durante tais eventos que ocorrem “ás escuras” triplicam o risco de convulsões epilépticas. Devem então ser tomadas medidas relativas aos mesmos.

 

Palavras-Chave: Música eletrónica; Festivais; Saúde, Epilepsia.

 

 

*Este e os mais recentes artigos científicos originais estão disponíveis aos associados na área reservada.

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