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ENTREVISTA - Portugal volta a ter um festival plenamente dedicado ao reggae, com Fernando Cabral (diretor FWD_ever)

  • há 2 dias
  • 5 min de leitura

Ao longo das últimas décadas, o reggae conquistou um lugar muito próprio no panorama musical português. Apesar de nunca ter sido um género dominante em termos de programação, a verdade é que se consegue (ao contrário de outros estilos musicais) que os maiores artistas internacionais e nacionais marquem presença regular nos principais festivais do país, construindo uma comunidade fiel e apaixonada. É neste contexto que nasce a primeira edição do Reggae Sun Fest, um novo festival organizado pela Forward Ever, que pretende afirmar-se como uma referência nacional e ibérica para os amantes da cultura reggae, mas com uma experiência prática de mais de 20 anos.


Mais do que um festival de música, o Reggae Sun Fest apresenta-se como uma experiência que celebra o lifestyle associado ao reggae, reunindo concertos, gastronomia, mercado, sustentabilidade e um ambiente pensado para todas as gerações.


Ao longo dos anos, Portugal recebeu alguns dos maiores nomes da história do reggae. Jimmy Cliff, The Wailers, Alpha Blondy, Steel Pulse, Israel Vibration, Morgan Heritage, Groundation, Alborosie, Gentleman, Julian Marley, Damian "Jr. Gong" Marley, Ky-Mani Marley, Third World, Protoje ou Kabaka Pyramid são apenas alguns dos artistas que passaram por palcos portugueses, demonstrando a forte ligação entre o público nacional e este universo musical.


O reggae encontrou igualmente espaço em festivais de diferentes dimensões. O Festival Sudoeste, o Sumol Summer Fest, o Boom Festival ou o Festival MED e vários eventos de menor dimensão contribuíram, ao longo dos anos, para manter vivo este género em Portugal, combinando artistas internacionais com uma crescente cena nacional. Nos últimos anos, o reggae evoluiu para uma programação cada vez mais diversificada, cruzando-se com o dub, dancehall, afrobeat e world music, acompanhando as tendências internacionais.


A estreia do Reggae Sun Fest representa, por isso, um novo capítulo para este género musical em Portugal. Num mercado altamente competitivo, a aposta num festival temático demonstra que continua a existir espaço para projetos especializados, capazes de criar comunidades e oferecer experiências diferenciadoras. À conversa com a APORFEST, Fernando Cabral, fundador da Forward Ever, explica como nasceu este projeto, os desafios da sua primeira edição e a visão para afirmar o Reggae Sun Fest como uma referência da cultura reggae.



1. O Reggae Sun Fest nasce numa altura em que o mercado português continua muito competitivo. Porque sentiram que este era o momento certo para lançar um festival exclusivamente dedicado ao reggae?

Fernando Cabral: Trabalho na promoção do reggae em Portugal há mais de 20 anos. Ao longo deste percurso, trouxe pela primeira vez a Portugal artistas como Gentleman, Patrice, Anthony B, Groundation, entre muitos outros. A minha primeira marca foi a Positive Vibes, que durante vários anos teve um palco próprio no Festival Sudoeste e se afirmou como uma das primeiras promotoras nacionais dedicadas exclusivamente ao reggae. Mais tarde continuei a produzir concertos e a agenciar alguns dos maiores nomes do reggae mundial, colocando-os em muitos dos principais festivais portugueses, como o FMM Sines, o Festival MED e a Maré de Agosto. Entre 2010 e 2019 fui também programador do Festival MUSA Cascais. Com a paragem do MUSA, um festival que chegou a reunir mais de 10 mil pessoas por dia, e depois de quase três décadas a trabalhar e a programar artistas para outros eventos, senti que era o momento certo para criar o meu próprio festival. Senti que tinha chegado o momento de deixar um legado. O Reggae Sun Fest nasce desse sonho e da vontade de criar um festival que possa marcar várias gerações.


2. A Forward Ever tem vindo a trabalhar a cultura reggae em Portugal há vários anos. De que forma essa experiência contribuiu para dar o passo de criar um festival próprio?

Era o passo natural no percurso da Forward Ever. Ao longo dos últimos 22 anos trouxemos a Portugal praticamente todos os grandes nomes do reggae mundial, representamos muitos desses artistas e somos parceiros de diversas agências internacionais. Além disso, a experiência acumulada em mais de 500 concertos produzidos deu-nos o conhecimento necessário para avançar com este projeto. Temos uma rede sólida de fornecedores, parceiros e equipas técnicas, pelo que sentimos que 2026 era o momento certo para lançar o nosso festival.


3. O cartaz da primeira edição reúne artistas como Inner Circle, Alborosie, Patrice, Ponto de Equilíbrio ou Mellow Mood. Que critérios orientaram a construção deste alinhamento e que identidade pretendem afirmar desde a primeira edição?

Desde o primeiro momento quisemos apresentar um cartaz de excelência, reunindo alguns dos maiores nomes do reggae internacional e posicionando o Reggae Sun Fest como um verdadeiro festival de referência. Escolhemos artistas com uma forte ligação ao público português, muitos dos quais já produzimos em Lisboa ao longo dos anos. Sabemos que existe um enorme carinho por estes nomes e acreditamos que reuni-los no mesmo evento cria uma proposta única. Procurámos também artistas que admiramos pela qualidade dos seus espetáculos e, sobretudo, pela mensagem que transmitem. Queremos promover música positiva, consciente e alinhada com os valores de paz, amor, respeito e união que sempre fizeram parte da cultura reggae.

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4. O lema 'Music • Lifestyle • Family' demonstra que pretendem oferecer muito mais do que concertos. Que experiência esperam proporcionar ao público durante os dois dias do festival?

Queremos que o público venha em família para viver uma verdadeira experiência reggae. Que possa dançar, celebrar e assistir a alguns dos maiores nomes do reggae internacional, desfrutar de uma oferta gastronómica de qualidade, conhecer melhor a história e a cultura do reggae e regressar a casa com uma energia positiva. O reggae é muito mais do que música. É uma cultura que promove a união, o respeito, a igualdade e a consciência social. Se conseguirmos que algumas pessoas saiam do festival inspiradas por esses valores, sentiremos que a nossa missão foi cumprida.


5. Quais foram os maiores desafios na criação de um novo festival em Portugal, desde a escolha da localização até à construção da marca e à captação de parceiros?

O maior desafio foi, provavelmente, garantir o financiamento de uma primeira edição. Muitos parceiros preferem esperar para ver um novo festival acontecer antes de investirem. Também não foi fácil encontrar uma data num calendário tão preenchido de festivais. Ainda assim, acreditamos que fizemos as escolhas certas. Temos um cartaz muito forte, um local extraordinário e uma equipa com a experiência necessária para fazer do Reggae Sun Fest uma referência em Portugal.


6. Olhando para o futuro, qual é a ambição da Forward Ever para o Reggae Sun Fest? O objetivo passa por consolidar um evento de referência em Portugal e posicioná-lo também no circuito europeu dos festivais dedicados ao reggae?

Sem dúvida. Inspiramo-nos em festivais como o Rototom Sunsplash (já vencedor de prémios nos Iberian Festival Awards), em Espanha, o No Logo, em França, ou o Reggae Land, no Reino Unido. Acreditamos que a nossa visão, aliada à experiência da equipa e à qualidade artística do festival, pode colocar o Reggae Sun Fest entre as principais referências europeias do género. Queremos que o Reggae Sun Fest se torne um encontro anual para os fãs de reggae de Portugal e de todo o mundo. Mais do que organizar um grande festival, queremos construir uma comunidade que cresça todos os anos e celebre os valores de paz, respeito, união e consciência que fazem do reggae uma música única.



Os bilhetes para o festival estão à venda nos locais habituais e a comunidade APORFEST pode fazer parte, a preço reduzido - AQUI. Abaixo a atuação de artista Patrice, um dos principais headliners do Reggae Sun Fest, em contexto de festival:



Créditos: Fotos e Vídeos (Festival Artes à Vila 2025)

 
 
 

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