Do PDF ao bilhete inteligente: como a tecnologia da BOL está a travar a revenda.
- há 1 hora
- 4 min de leitura
Durante muitos anos, o bilhete eletrónico foi essencialmente um PDF com um código de barras estático. Assim que era enviado ao comprador, podia ser facilmente copiado, fotografado, partilhado ou colocado à venda numa qualquer plataforma externa. Atualmente, a evolução tecnológica permite um avanço significativo: o bilhete continua a ser um título de acesso, mas dotado com caraterísticas de segurança muito superiores.
A revenda especulativa de bilhetes não é um fenómeno novo, mas ganhou uma dimensão muito significativa, alimentada principalmente através das plataformas digitais. Isto representa um desafio crescente para todo o setor dos eventos, afetando diretamente promotores e consumidores.
É urgente consciencializar o público para este problema, uma vez que traz desvantagens evidentes para todos os intervenientes:
Ao nível do consumidor: Muitas vezes, o processo começa com uma simples pesquisa na Internet por bilhetes para um espetáculo, sem que o comprador saiba qual é o canal de venda oficial ou autorizado. Este desconhecimento leva a uma situação comum: o consumidor, sem se aperceber, compra num mercado paralelo a preços muito superiores aos oficiais, correndo ainda o risco real de ficar com um bilhete falso em mãos.
Ao nível do produtor: Existe um prejuízo económico e estrutural que muitas vezes é ignorado. Se um bilhete comprado a 100 euros for revendido por 200 ou 300 euros, o lucro vai inteiramente para uma terceira parte que não assumiu qualquer risco financeiro ou logístico. Ou seja, alguém vai apropriar-se de uma receita que deveria pertencer ao produtor que contrata o artista, investe na produção, na comunicação, nas equipas técnicas e nas infraestruturas do espetáculo.
O grande desafio passa, por isso, pelo aperfeiçoamento tecnológico constante, com dois objetivos principais:
Devolver ao produtor o controlo sobre a circulação dos seus próprios bilhetes, tirando partido da tecnologia e do papel central das bilheteiras;
Manter a experiência do consumidor simples e transparente, garantindo que este sabe sempre onde e como vai receber o seu bilhete de forma segura.

Foto: Luís Forra/ Lusa
Neste contexto, um exemplo claro desta mudança aconteceu no recente concerto do artista Kanye West – YE. Para acesso a este espetáculo, a BOL utilizou exclusivamente a sua aplicação BOL Tickets e implementou uma tecnologia própria que substituiu o tradicional QR Code estático (permanentemente visível), por um QR Code oculto, protegido por sistemas que permitem a sua ativação em tempo real.
Após detetar vários anúncios de revenda com valores estimados acima dos 300 mil euros, a BOL conseguiu identificar e invalidar com sucesso 933 bilhetes que estavam a ser objeto de revenda em mercados paralelos. Até então, esta tecnologia tinha sido utilizada com uma função essencialmente dissuasora; contudo, este concerto marcou a sua aplicação em grande escala de forma totalmente inédita, provando que a tecnologia vai muito além de simplesmente vender um bilhete e validá-lo à entrada. Esta intervenção demonstra que uma bilheteira pode, e deve, deixar de assistir passivamente ao crescimento do mercado secundário e utilizar a tecnologia para devolver aos intervenientes uma jornada clara e concisa.
A transição de um simples PDF para um bilhete mais seguro permitiu à BOL abrir novos horizontes e devolver aos promotores um maior controlo sobre a circulação dos bilhetes dos seus eventos. Tanto quanto é do conhecimento da BOL, não existia até ao momento uma operação desta natureza e dimensão em Portugal, em que uma tecnologia de bilhética permitisse identificar e invalidar transações objeto de especulação, antes de um grande concerto. Ainda assim, o combate à especulação não deve ser o esforço isolado de uma única empresa. Quanto mais operadores adotarem soluções que dificultem a utilização abusiva de bilhetes, menor será o espaço para este tipo de negócio desleal.
A experiência pioneira da BOL abre um caminho em crescimento que deve ser seguido e aperfeiçoado por outras empresas do setor. A evolução não passa por inventar um produto completamente diferente, mas sim por reforçar a segurança associada ao bilhete, reduzir a dependência de PDFs, links e códigos estáticos e apostar em integrações com aplicações oficiais e carteiras digitais e aplicações oficiais permitindo a proteção de todos os intervenientes. Isto não significa que alguém que, por um motivo legítimo, já não possa comparecer num determinado espetáculo fique impedido de encontrar uma solução para o bilhete que adquiriu. O objetivo passa por criar os mecanismos seguros, regulados e legais, que permitam dar resposta a estas situações sem contribuir para a especulação.
A intervenção e desenvolvimento da BOL, demonstram que o verdadeiro sucesso do setor acontecerá quando o que hoje é visto como pioneirismo se tornar uma prática comum. Será um passo importante e fundamental, para ajustar os riscos que os promotores suportam e para garantir que o público disponha de uma jornada de compra transparente, justa e segura.
Artigo escrito por:

Ricardo Nuno é Chief Executive Officer (CEO) da BOL - Bilheteira Online, marca da ETNAGA, lugar que ocupa desde 2004.

Sara Gonçalves é Chief Operating Officer (COO) da BOL - Bilheteira Online, marca da ETNAGA, empresa onde trabalha desde 2013. É atualmente responsável pelas áreas comercial, de gestão de eventos, helpdesk e de gestão de clientes.










Comentários